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Áreas nobres gastam 45% mais água do que a média de São Paulo

Números incluem os Jardins Paulista, Europa e América, Lapa, Alto de Pinheiros, Boaçava, Sumaré e Perdizes

Fabio Leite e Mônica Reolom, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2015 | 17h27

Atualizada às 22h34

SÃO PAULO - O consumo de água em bairros nobres de São Paulo, como Jardins e Perdizes, foi 45% maior do que a média registrada na capital paulista em março. Segundo balanço divulgado nesta sexta-feira, 10, pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o gasto por imóvel nessas regiões atingiu 15 mil litros, enquanto que na cidade o consumo médio no período foi de 10,3 mil litros.

Ocupada por casas e condomínios de alto padrão, além de shoppings e hospitais, a região dos Jardins lidera o ranking de consumo de água por domicílio na capital, segundo a Sabesp, que divide a cidade em 27 áreas. Para a empresa, essa região compreende os bairros de Jardins Paulista, Europa e América, Lapa, Alto de Pinheiros, Boaçava, Sumaré e Perdizes, abastecidos pelos Sistemas Cantareira e Guarapiranga.

“Quando menciona Jardins, na verdade está mencionando outros bairros. Além disso, é de conhecimento público que tais regiões apresentam estabelecimentos comerciais de suma importância e necessidade que mesmo que se esforcem não conseguirão reduzir consideravelmente o consumo de água, tais como hospitais, restaurantes, shoppings e faculdades”, afirma Fernando José da Costa, presidente da Associação de Moradores dos Jardins América, Europa, Paulista e Paulistano (AME Jardins).

Economia. Dados da Sabesp mostram que o consumo de água nessas regiões caiu 24,4% em relação a março de 2014, quando o gasto médio foi de 19,8 mil litros. Em toda a cidade, a queda de consumo no período foi maior, de 28,8%. Há um ano, o gasto médio por domicílio era de 14,5 mil litros. 


De acordo com a Sabesp, os moradores das regiões do Ipiranga e da Vila Mariana, na zona sul da capital, foram os que mais reduziram o consumo de água em março em relação à média anterior à crise (fevereiro de 2013 a janeiro de 2014). Segundo a empresa, 77% dos imóveis desses bairros economizaram mais de 20% e ganharam o bônus na conta. Na média, 18% dos clientes ainda gastaram mais água em março do que no período pré-crise. Desses, segundo a estatal, 11% consumiram mais de 10 mil litros no mês e receberam multa de até 100% sobre a tarifa de água, ou 50% do valor total, incluindo esgoto. 

Para a gerente de Relacionamento com o Cliente da Sabesp, Samanta Souza, os números mostram que ainda é possível reduzir mais o consumo de água na cidade. “Apesar do resultado positivo, há potencial para que esses bairros economizem ainda mais, uma vez que o consumo médio de água no município de São Paulo é de 10,3 m³ (mil litros)”, disse.

Periferia. Os dados da companhia mostram que nos bairros da periferia paulistana, como Grajaú, no extremo sul, o consumo médio foi de 8,9 mil litros por imóvel, ou seja, 40% menor do que nos Jardins. “A população da região periférica mais distante do centro já apresentava um padrão de consumo mais consciente, antes mesmo da crise hídrica”, afirmou Samanta.

De acordo com a Sabesp, 68% dos clientes do Grajaú atingiram o bônus de 20% no mês passado. Segundo o presidente da estatal, Jerson Kelman, é possível que parte da diminuição do consumo pela população seja reflexo do racionamento feito pela empresa por meio da redução da pressão da água e do fechamento manual da rede. 

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