Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Área verde na Augusta agora pode ter prédios

Dono faz abaixo-assinado propondo criar parque só no espaço do bosque; Prefeitura decretou todo o espaço como de utilidade pública em 2008

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2010 | 00h00

A área verde da Rua Augusta próxima da Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, que devia ter virado parque, segundo decreto de 2008 do prefeito Gilberto Kassab (DEM), é alvo de outra polêmica. O terreno poderá receber duas torres, uma comercial e outra residencial, caso a Prefeitura aprove o projeto do dono, o empresário Armando Conde, que promove abaixo-assinado no local e pela internet buscando apoio da população.

O projeto inclui a construção do parque na área de 10 mil m² que abrange a área verde do terreno, um dos últimos redutos de mata atlântica da cidade. As árvores não podem ser retiradas, por causa do tombamento. As torres, de cerca de 12 andares, ficariam no espaço restante, que hoje abriga estacionamento e eventualmente é alugado para circos.

O terreno já foi alvo de diversos projetos. Cogitou-se um supermercado, um museu e a construção de quatro torres. A nova proposta rende diferentes opiniões dos moradores. Isso porque a área oferecida para o parque, equivalente a um campo de futebol, é um pouco menos da metade da área total, de 24 mil m², que seria totalmente destinada ao espaço público, segundo a intenção inicial da Prefeitura

Parte da população reivindica a criação do que batizou de "Parque Augusta" em toda a área. Chegou-se a promover abraços e um abaixo-assinado. A principal alegação é de que o centro tem raras áreas verdes e de lazer e o terreno da Augusta não é grande o suficiente para ser dividido. Vai virar uma praça, e não um parque, alega a Sociedade de Moradores de Cerqueira César.

Já a incorporadora Setin, responsável pelo projeto, afirma que o mais importante é que a área verde ficara à disposição da população. Além disso, as contrapartidas oferecidas tornariam a proposta vantajosa.

Elas preveem a construção do parque na área verde, com um projeto paisagístico que inclui a plantação de novas árvores e caminhos para os pedestres. A manutenção da área seria feita pelo novo condomínio. Seriam ainda construídos passeios nas ruas próximas e o prédio da Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) Patrícia Galvão, na Praça Roosevelt, seria reformado. Com isso, ficaria descartado o plano da Prefeitura de transferir a Emei para o terreno da Augusta. "Pensamos não só em um projeto para a área, mas em um conjunto de ações que beneficiasse a região", diz o presidente da incorporadora, Antonio Setin.

CRONOLOGIA

Colégio ficou ali até 1967

1907 a 1967

Escola

Abrigou o colégio católico feminino Des Oiseaux.

1996

Compra

O terreno, que chegou a ser doado à Prefeitura e depois passou para a iniciativa privada, foi então comprado pelo empresário Armando Conde.

2004

Tombamento

O bosque foi tombado em dezembro.

2007

Projetos

O projeto da Setin, que previa quatro edifícios de 40 andares, foi rejeitado pela Câmara em razão do tombamento. Um supermercado e um museu também chegaram a ser cogitados para a área.

2008

Decreto

Kassab publicou decreto de utilidade pública para transformar a área em parque.

2010

Abaixo-assinado

O projeto da Setin, que agora prevê só duas torres, menores, é levado à população.

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