Área sob viaduto entre a Consolação e a Doutor Arnaldo vira minicracolândia

O Estado constatou pelo menos 15 pessoas que circulam pela área; vizinhos relataram clima de medo e impotência

Juliana Deodoro, do O Estado de S. Paulo,

25 Outubro 2012 | 01h00

SÃO PAULO - Uma minicracolândia se formou em uma das áreas mais nobres de São Paulo, sob o Viaduto Okuhara Koei, que liga a Rua da Consolação à Avenida Doutor Arnaldo. Entre os vizinhos, o clima é de medo e impotência.

 

Nos últimos dias, o Estado constatou a presença de pelo menos 15 pessoas que, sozinhas ou em grupos de duas ou três, circulam pela área, atravessam ruas e avenidas correndo no meio dos carros e abordam pedestres para pedir dinheiro.

 

"A rotina é essa: passam o dia andando de um lado para outro", explica o motorista Ismael Paulo Araújo, de 25 anos, que trabalha por ali. Segundo Araújo, é uma população flutuante, cujo número costuma variar. "Não consigo reconhecê-los. Cada dia tem um noia diferente."

 

Em uma das vezes em que a reportagem esteve no local, na semana passada, três agentes da Guarda Civil Metropolitana e dois PMs circulavam pelo viaduto. Como em um jogo de gato e rato, bastava que a GCM estacionasse o veículo nas proximidades para que os usuários saíssem andando. Poucos minutos depois, porém, lá estavam todos de volta.

 

"O que a gente pode fazer? Ficamos de mãos e pés atados", diz a diretora da Associação Paulista Viva, Marli Lemos. "Não se trata de questão higienista, mas as pessoas também querem ter o direito de entrar em casa sem tropeçar em algum drogado."

 

Morador da região, Rodrigo Antônio, de 34 anos, diz que a situação é explicada pela falta de assistência aos usuários. "O que incomoda nisso é saber que é uma consequência de uma total falta de assistência do Estado. É só o aprofundamento de um problema que tende a piorar."

 

Operação no centro. Segundo moradores, a chegada desses usuários de drogas coincidiu com a Operação Centro Legal, deflagrada pela Polícia Militar em janeiro na Luz. "O número de usuários aumentou bastante. É uma situação triste, pois é uma dependência que marginaliza as pessoas", diz o editor de vídeos Ricardo Braga, de 44 anos.

 

A GCM afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que os guardas realizam abordagens na área e oferecem encaminhamento aos viciados. Caso seja constatado tráfico, o acusado é conduzido a um distrito policial.

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