Área nobre da zona sul é líder em devastação

Um dos últimos redutos de Mata Atlântica, Vila Andrade perdeu 13 mil árvores

O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2012 | 03h03

Localizado em um dos poucos bolsões de Mata Atlântica que restaram na mancha urbana de São Paulo, o distrito de Vila Andrade, na zona sul, foi o mais afetado pelos cortes autorizados de árvores nos últimos 14 anos. O bairro perdeu 13.454 árvores entre 1997 e 2011. O número corresponde a 18,5% de tudo o que a cidade perdeu no período.

A Vila Andrade lidera o ranking por dois motivos. Primeiramente, ainda tem farta cobertura vegetal - hoje, mais de 50% do distrito é coberto por verde. Além disso, impulsionado pelos empreendimentos no Panamby, é um local muito visado pelo mercado imobiliário.

"Construtoras em bairros nobres tendem a respeitar a legislação ambiental e, por isso, registram todos os cortes", afirma Luciana Schwandner Ferreira, autora da dissertação de mestrado apresentada à USP. Esses mesmos motivos fazem com que os distritos de Santo Amaro, Campo Grande, Butantã, Vila Sônia e Morumbi sejam os próximos na lista - cada um perdeu entre 2 mil e 3 mil árvores.

A única exceção é Cangaíba, na zona leste, que ocupa o segundo lugar no ranking. A explicação são as obras de ampliação da Marginal do Tietê, em 2009.

Irreparável. O mestrado de Luciana mostra que, apesar de as compensações ambientais superarem o número de árvores cortadas na Vila Andrade, brechas nas regras e falta de fiscalização fizeram com que o bairro perdesse área verde nas últimas décadas.

Apenas nos anos de 1999 a 2009, a Prefeitura exigiu 70,4 mil mudas de compensação - número bem maior que as 13,4 mil árvores cortadas no bairro em 14 anos. No entanto, só 5.343 delas foram plantadas no distrito.

Há também o corte ilegal de árvores em locais com pouca fiscalização, como em Paraisópolis, que faz parte do distrito. Análise de fotografias áereas do distrito mostra que Vila Andrade perdeu 410 mil m² de vegetação entre 1999 e 2009, o equivalente a quatro Parques da Aclimação ou a 4% da área do bairro. /DIEGO ZANCHETTA e RODRIGO BURGARELLI

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