Área em cratera de meteoro é reurbanizada

Um projeto de requalificação começa a mudar a realidade da região de Vargem Grande, bairro localizado bem no meio da Cratera de Colônia, causada pela queda de um meteoro há 20 milhões de anos em Parelheiros, extremo sul de São Paulo. Desde 1987, o bairro cresceu desenfreadamente, sem esgoto, asfalto ou infraestrutura em uma área de manancial. O objetivo do projeto assinado pela arquiteta Adriana Levisky é transformar a região, onde vivem 35 mil pessoas, em uma alternativa sustentável de ocupação e um museu a céu aberto.

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2012 | 03h06

"O interessante é que conseguimos acomodar a demanda habitacional e preservamos a fauna e a flora", disse Adriana. Várias ruas já foram pavimentadas com material que evita a impermeabilização do solo. E, na hora de desenhá-las, o carro perdeu o papel de protagonista. "Nas esquinas, as vias se afunilam para que os veículos diminuam a velocidade para que os pedestres possam atravessar", afirma.

O fim do barro nos sapatos é comemorado em uma região onde muita gente não tem carro e há poucas linhas de ônibus. E o verde, que hoje fica apenas ao redor da ocupação sem uma praça sequer, deve ganhar espaço. Está prevista a criação de quatro parques lineares e uma praça. "Haverá um acréscimo de 360 m² de verde", diz Adriana. Para isso, cerca de 700 casas devem ser removidas - parte delas nas margens de córregos que têm efeito direto na Represa Billings.

A causa é nobre, mas na hora de mudar nem todo mundo fica feliz. "É complicado sair de uma casa de 250 m² para um apartamento de 50 m²", diz Marta Pereira, de 49 anos, presidente da Associação Comunitária Habitacional Vargem Grande (Achave). Uma das principais funções da entidade é tentar garantir aos moradores o direito de serem donos das casas onde vivem, já que todo o bairro de 2,4 mil m² está no nome da associação. "Fiscalizamos para ninguém construir."

Duas fases do projeto, bancado pela Prefeitura, já estão prontas e a terceira está em licitação. A estimativa é que tudo esteja pronto até 2014. Enquanto isso, a impressão que se tem é de que são dois bairros diferentes. Um enfrenta todas as mazelas do resto de Parelheiros - distrito com mais verde e, paradoxalmente, menos espaços de lazer da cidade. O outro é mais bem cuidado até pelos moradores.

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