Área do Metrô na Vila Prudente causa discórdia

Moradores reclamam que local funciona como canteiro de obras das futuras Estações Chácara Klabin e Santa Cruz, da Linha 5-Lilás, na Vila Mariana

ARTUR RODRIGUES , EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2012 | 03h05

Um grupo de moradores da Vila Prudente, na zona leste de São Paulo, protesta contra a transformação de uma extensa área do Metrô na região em centro de apoio das obras das Estações Chácara Klabin e Santa Cruz - ambas do projeto de expansão da Linha 5-Lilás da companhia.

Em mais de 20 casas e imóveis comerciais das redondezas - em ruas como a Tomás Izzo e a Fernandópolis -, há cartazes com o símbolo da empresa e os dizeres: "Um absurdo da engenharia do Metrô. Vila Prudente vira canteiro de obras da Vila Mariana (distrito das Estações Santa Cruz e Chácara Klabin, na zona sul)". Os cartazes começaram a ser espalhados pelo bairro no fim do mês passado.

Moradores da região se mostram indignados. "A promessa inicial do Metrô era a de que aqui seria um parque ou uma praça. Não um canteiro de obras", reclamou a dona de casa Sonia Regina Teixeira, de 50 anos, que mora há 8 anos na frente do "terreno da discórdia". "Essa é a vista que tenho da janela da minha sala", ironizou. Foi do sobrado de dona Sonia que a foto que ilustra a reportagem foi feita.

Antes de se tornar centro de apoio da obra, a área ficou fechada com tapumes por 4 anos. "Começamos a nos mobilizar em agosto", conta a aposentada Ana Maria Garcia Karchiloff, de 68 anos. "É um absurdo o que fizeram com a gente."

Em nota, o Metrô informou que a área citada pelos moradores realmente será usada como canteiro de apoio para execução de atividades das obras de expansão da Linha 5-Lilás.

A companhia destacou que a construção vai "beneficiar mais de 700 mil pessoas por dia", ressaltando que será "essencial para toda a população da Região Metropolitana de São Paulo".

Futuro. A empresa ainda não definiu o que será da área depois da conclusão das obras da Linha 5. "Quando forem concluídas, em 2015, o Metrô vai estudar, com a comunidade, a melhor destinação para os terrenos", informou, sem comentar se a área poderá se tornar um parque ou uma praça.

Os moradores já fizeram um abaixo-assinado para que o Metrô reveja a situação e procuraram a Defensoria Pública em busca de uma solução. "Isso só acontece porque somos da zona leste", disse Ana Maria, sobre a situação de abrigar um canteiro de obra de outra região - considerada mais nobre.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.