Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Área de Pinheiros é campeã de ''gatos'' e desperdício

39,4% da água da região se perde antes de chegar às casas. Fraudes em hidrômetros e vazamentos em tubulações são outros obstáculos

Renato Machado e Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

03 Julho 2011 | 00h00

Na região da Subprefeitura de Pinheiros, zona oeste da capital, 39,4% da água se perde antes de chegar às casas dos moradores. Seja por perdas físicas (27,6%), como vazamentos em canos, seja por perdas aparentes (11,8%) - as não faturadas pela Sabesp, como "gatos" (ligações clandestinas) e fraudes de hidrômetros. Tubulações das décadas de 1940 e 1950 e solo ácido, que ajuda a corroer os canos, também fazem com que a região seja a campeã de desperdício na cidade.

E, do ano passado pra cá, as coisas só pioraram: entre março de 2009 e março de 2010, o índice de perdas em Pinheiros foi de 31,1%. No mesmo período do ano seguinte, passou para 39,4%. Segundo a Sabesp, o crescimento foi causado por um problema "pontual" da empreiteira que fazia os reparos na rede. "Estavam atrasando o serviço, o que causou o aumento do problema", justifica o diretor da Região Metropolitana da Sabesp, Paulo Massato. "Também atrapalha o fato de que grandes reparos só podem ser feitos em conjunto com a Prefeitura, quando são feitas obras maiores nas vias."

Outra razão, segundo ele, foi o desligamento de 4 mil ramais causado por demolições para construção de prédios no bairro. E a expectativa é de que os vazamentos nesses locais só terminem após a finalização das construções e consequente regularização do serviço de água.

A maior parte das obras, segundo a Sabesp, é feita após reclamações dos moradores. Ainda assim, a água perdida na cidade muitas vezes vai diretamente para o subsolo - 65% do total, segundo a empresa.

Além de Pinheiros, fecharam com aumento de desperdício mais 16 das 31 subprefeituras. Chama a atenção, por exemplo, o caso da de Capela do Socorro, na zona sul da capital. Os índices de perdas físicas e aparentes dobraram em um ano, atingindo respectivamente 16,5% e 7,1%. Os principais problemas ali são os gatos, por causa das favelas e ocupações irregulares da área. A estrutura da região, com muitos morros e vales, facilita a ocorrência de problemas no sistema de encanamentos.

"É um sinal de alerta, porque a tendência dos outros anos vinha sendo de queda e agora a situação se reverte em alguns pontos. Também chama a atenção que os aumentos aconteçam nas regiões onde o índice já é alto", diz a consultora Marussia Whately.

A Casa Verde, na zona norte, é outra região que apresentou piora - o índice de perdas de água com vazamentos e outros problemas na tubulação passou de 32,6% para 37,6%. "Lá a tubulação é mais antiga ainda, uma verdadeira peneira. Está prevista nessa área intensa troca de ramais", promete Massato.

Os melhores. Dados da Região Metropolitana de São Paulo mostram, no entanto, uma tendência geral positiva, com desperdício caindo ano a ano. Os melhores exemplos vêm do Jabaquara, na zona sul, com perda de apenas 4,1%, e da Mooca, na leste, com 5,9%. Nas duas regiões, a instalação de válvulas reguladoras de pressão e o solo plano facilitaram a conservação dos tubos, segundo a Sabesp.

Ao longo deste ano, estão previstos R$ 412 milhões em investimentos para melhorar o abastecimento de água na Região Metropolitana. Até 2019, a Sabesp prevê investir R$ 4,3 bilhões em reparos na rede e melhorias no abastecimento. A empresa pretende ainda atingir índice de perdas abaixo de 13%.

Apesar da importância de conscientizar as pessoas em relação ao consumo consciente, a perda de água nas redes ainda é o grande problema a ser combatido. "Trabalhos de educação são importantes, porque ainda se desperdiça muita água de maneira desnecessária, na hora, por exemplo, de lavar louça e roupa. Mas é preciso pôr o dedo na ferida principal, que é a perda, que precisa de grandes investimentos para ser combatida", resume Maria Luísa Borges Ribeiro, da SOS Mata Atlântica.

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