Arco Tietê vai usar área de antigo clube

Projeto que quer ajuda de empresários para revitalizar margens do rio faz parte do Arco do Futuro, promessa de campanha de Haddad

ADRIANA FERRAZ, DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2013 | 02h03

O prefeito Fernando Haddad (PT) marcou para dezembro a conclusão do projeto que promete transformar as margens do Rio Tietê, a partir de um pacote de obras que inclui investimentos em sistema viário, transporte público, drenagem urbana e construção de habitações populares.

Idealizado como uma Parceria Público-Privada (PPP), o Arco Tietê terá como atrativo a oferta de títulos imobiliários para ocupação de terrenos vagos na região. Um deles já está reservado: a área de 50 mil m² utilizada até o ano passado pelo Clube de Regatas do Tietê.

Viabilizar a operação urbana com investimentos privados é considerada a única saída de Haddad para cumprir uma de suas principais promessas de campanha: a criação do Arco do Futuro, nome dado à proposta que visa a descentralizar o desenvolvimento da cidade.

Na semana passada, a Prefeitura fez um chamamento público às empresas interessadas em apresentar suas ideias. Elas terão até o dia 28 deste mês para se cadastrarem na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, que promete anunciar o resultado da seleção já no mês que vem.

O secretário Fernando de Mello Franco pretende alcançar uma fórmula semelhante à utilizada no processo de revitalização da região portuária do Rio, assumida pela iniciativa privada, mas com a participação de uma empresa pública.

Lá, a Caixa Econômica Federal adquiriu todo o lote de Cepacs - papéis imobiliários negociados pela Prefeitura no mercado financeiro para a obtenção de recursos destinados a projetos urbanos.

"A participação da iniciativa privada é inevitável, mas é a Prefeitura que ditará as diretrizes. Nós já definimos as operações consideradas estratégicas e elas passam por uma melhor drenagem da região, um programa de mobilidade integrado à rede de trens metropolitanos, regionais e o próprio TAV (Trem de Alta Velocidade que deve ligar a capital ao Rio), além do planejamento de uma malha cicloviária e de unidades habitacionais populares", explica Franco.

As áreas de interesse terão de compor os projetos a serem elaborados pelas empresas. No fim do processo, a Prefeitura poderá incluir todas as propostas ou parte delas para formularem o edital que servirá de base à futura licitação da PPP. "Quem vencer terá de ressarcir as demais participantes caso suas ideias sejam incorporadas ao edital." A concorrência deve ser lançada no início de 2014.

O pacote bilionário de intervenções já atrai a atenção das empreiteiras. A Odebrecht é uma das candidatas nacionais a elaborar o Arco do Tietê. Mas, de acordo com o secretário, o projeto não limitará a participação de consórcios brasileiros. "Vamos abrir o projeto a empresas estrangeiras, que também têm expertise nessa área."

Terrenos. Além do terreno que abrigou o Clube de Regatas Tietê, outras áreas - públicas ou não - devem atrair investidores para o projeto de Haddad, segundo acredita Fernando de Mello Franco. "Estamos selecionando os terrenos. Há várias áreas nesse perímetro. A destinação de cada um delas, porém, será dada pelos estudos, que vão programar esse território."

O secretário diz que a ideia é desenvolver uma cidade mista, com vários usos. Desse modo, não há risco, segundo Franco, de as empreiteiras utilizarem o espaço só para prédios residenciais para a classe média ou conjuntos corporativos de alto padrão. "Nós vamos conduzir o processo, que certamente terá conjuntos populares."

A longo prazo, o projeto de Haddad é reproduzir nas margens do Tietê o modelo observado no entorno do Rio Pinheiros, onde a construção de prédios comerciais ajudou a desenvolver a região, hoje uma das mais valorizadas da cidade. Dessa vez, porém, a Prefeitura busca uma fórmula mais equilibrada a fim de evitar a especulação imobiliária.

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