Arco do Futuro, de Haddad, terá 10 projetos de Kassab

Com 17 diretrizes, plano de prefeito eleito pretende mudar a lógica de crescimento de SP, priorizando criação de trabalho na periferia

ADRIANA FERRAZ , DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2012 | 02h02

O prefeito eleito Fernando Haddad (PT) vai manter dez projetos da gestão Gilberto Kassab (PSD) para viabilizar o Arco do Futuro, programa apresentado durante a campanha eleitoral como a fórmula capaz de equilibrar a oferta de moradia e de empregos em uma mesma região da cidade. Uma herança que soma R$ 6,33 bilhões em projetos já iniciados.

O plano de ações tem 17 diretrizes principais, que juntas pretendem mudar a lógica de crescimento de São Paulo, priorizando a criação de vagas de trabalho em bairros distantes do centro expandido.

A maior mudança prevista é a transformação da Avenida Jacu-Pêssego, que corta a zona leste da cidade, em um novo polo comercial e industrial, a partir da concessão de incentivos fiscais a empresas interessadas em investir na periferia.

Inverter a lógica da criação de empregos visa a proporcionar a 1,3 milhão de moradores da região que vai de São Mateus a Itaquera a chance de trabalhar perto de casa, evitando longos deslocamentos e ampliando a qualidade de vida da população. O novo eixo da zona leste é elaborado no projeto da Operação Urbana Rio Verde-Jacu desde agosto.

O responsável pelo estudo é o ex-secretário de Planejamento da gestão Marta Suplicy (2001-2004), o arquiteto Jorge Wilheim, contratado pela gestão atual por R$ 14 milhões.

'Inspiradora'. Na semana passada, Wilheim disse que os trabalhos desenvolvidos por sua equipe já contemplam o conceito previsto no Arco do Futuro de Haddad. Ele classificou a proposta do prefeito eleito como "inspiradora".

"A região tem um potencial industrial e produtivo para atrair empresas de exportação e de serviços. A Jacu-Pêssego é o corredor que vai servir de ligação entre o Aeroporto de Cumbica, ao norte, e o Porto de Santos, no extremo sul", afirma.

O mesmo modelo está previsto para o entorno da Avenida Cupecê, na zona sul. No programa de desenvolvimento local, a região é considerada atraente para investidores comerciais. É próxima do Aeroporto de Congonhas e das rodovias que levam ao ABC Paulista e à Baixada Santista, com uma vantagem: o interesse do mercado imobiliário em promover maior adensamento em bairros como Vila Santa Catarina, Jardinópolis e Cidade Ademar.

A Marginal do Tietê também está no plano. O futuro governo prevê o lançamento de empreendimentos corporativos ao redor da via.

O presidente da sede paulista do sindicato da habitação (Secovi), Claudio Bernardes, acredita que o processo de transformação deva seguir os moldes observados na Marginal do Pinheiros, onde os prédios de escritórios tomaram as duas margens do rio.

Bernardes ainda destaca outras regiões com potencial idêntico, disputado pelo mercado. "O eixo da Mooca e do Ipiranga, por exemplo, ao longo da linha do trem, merece uma reestruturação completa. Ambas as regiões têm boa infraestrutura e podem receber tanto moradias quanto escritórios", diz.

Incluída na Operação Urbana Mooca-Vila Carioca, a área já é estudada em projeto contratado pelo atual secretário de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem, e deve sofrer alterações.

Zoneamento. Além de revisar estudos já contratados pela gestão atual, Haddad também vai precisar da autorização da ampla maioria dos parlamentares (37 dos 55) para aprovar o início das operações urbanas e as mudanças de zoneamento previstas no Arco do Futuro.

Para isso, terá de ter apoio do bloco de vereadores liderados por Kassab, incluindo os oito parlamentares do PSD. Nesse contexto, os dez projetos de herança devem ajudar.

As novidades prometidas para o setor da construção já movimentam o mercado. O presidente da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), Luiz Pompéia, diz que todos vão lucrar com a nova política.

"O adensamento, contudo, trará impactos diferentes para cada uma das regiões e, consequentemente, novas dificuldades", alerta.

O planejamento adequado é que pode assegurar as melhorias. "Todo novo empreendimento, comercial ou residencial, precisa ser cercado de serviços. Conceitualmente, o plano está certo, mas é preciso saber se haverá resposta do mercado", completa Bernardes.

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