Divulgação/CNBB
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Arcebispo de Brasília é eleito novo presidente da CNBB

D. Sérgio da Rocha foi nomeado bispo em 2001 e é, desde 2011, arcebispo metropolitano da capital federal

José Maria Mayrink, O Estado de S. Paulo

20 Abril 2015 | 15h10

Atualizada às 21h38

SÃO PAULO - O novo presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é d. Sérgio da Rocha, de 55 anos. Ele foi eleito no início da tarde desta segunda-feira, 20, para substituir o cardeal Raymundo Damasceno Assis, que dirigiu a entidade nos últimos quatro anos. Os bispos escolheram ainda d. Murilo Krieger, arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, para vice-presidente.

O atual secretário geral, d. Leonardo Steiner, foi reconduzido ao cargo, com 228 votos, em segundo escrutínio. A votação foi marcada pelo apoio quase unânime ao nome de d. Sérgio para presidente. Já no primeiro escrutínio, ele recebeu 215 votos, alcançando os dois terços necessários para a eleição, entre 293 bispos eleitores. O quase consenso mostra que o episcopado parece disposto a manter os rumos da CNBB dos últimos anos. Após a eleição, d. Sérgio não pareceu surpreso com o resultado. Os cardeais d. Odilo Scherer, de São Paulo, e d. Orani João Tempesta, do Rio, também tiveram votos.


D. Sérgio agradeceu a confiança do episcopado ao elegê-lo logo no primeiro turno - fato raro na história eleitoral da CNBB -, mas, ao falar aos jornalistas, disse que só se manifestará na manhã de sexta-feira. “Até lá, o presidente é d. Damasceno”, justificou. D. Damasceno, cardeal de Aparecida, não escondeu sua satisfação pela escolha de d. Sérgio como seu sucessor.

Perfil. D. Sérgio é arcebispo de Brasília desde junho de 2011. Na linha de orientação do papa Francisco, que recomendou aos bispos e padres sair da sacristia para levar o Evangelho à periferia, d. Sérgio costuma visitar toda noite uma paróquia, num trabalho pastoral que envolve muita conversa e geralmente leva a comer alguma coisa, comida simples que não chega a ser um jantar.

O novo presidente da CNBB é, segundo seus colaboradores, um bispo muito simples e aberto ao diálogo. Está sempre bem disposto e sorridente, apesar de ter um problema na coluna, que às vezes trava. Natural da pequena cidade de Dobrada (SP), d. Sérgio da Rocha nasceu em 17 de outubro de 1959. Pensava em ser padre desde os oito anos de idade, mas só entrou para o seminário aos 18. Foi ordenado em 18 de agosto de 1984, e logo assumiu sua primeira paróquia, na diocese de São Carlos.

Depois, cursou Filosofia na Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma. Antes de ser bispo, d. Sérgio foi diretor espiritual e professor em São Carlos e em Campinas, onde ensinou Teologia Moral na Pontifícia Universidade Católica (PUC-Campinas). Foi missionário em Rondônia e em Goiás. Em junho de 2001, foi nomeado bispo auxiliar de Fortaleza pelo papa João Paulo II. Menos de seis anos depois, foi designado arcebispo coadjutor de Teresina, passando a arcebispo metropolitano em setembro de 2009.

Disputa. A eleição de d. Murilo Krieger para vice-presidente foi mais sofrida. Ele só alcançou os votos necessários no terceiro escrutínio, quando 199 eleitores aprovaram seu nome. O arcebispo primaz é considerado um conservador em comparação com d. Sérgio - deve servir de contrapeso ao novo presidente, um moderado.

A manutenção de d. Leonardo significa um reconhecimento de seu trabalho nos últimos quatro anos. Ao lado de d. Sérgio, deve cuidar das relações da CNBB com o governo.

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