Filipe Araujo/AE
Filipe Araujo/AE

Ar foi ruim 3 vezes em 2 anos; na nova regra, seriam 1.855

Com a revisão, alertas de poeira (material particulado) vão ser mais comuns. Já os alarmes de ozônio devem ficar mais raros

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

Com a revisão dos padrões de qualidade do ar no Estado de São Paulo, as avaliações feitas diariamente pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) devem indicar piora na qualidade do ar. Isso porque, com os níveis mais rígidos da OMS em vigor, o número de ocorrências de ar inadequado pela presença de um dos principais poluentes - o material particulado (MP) - deve explodir.

Veja também:

linkSP é o 1º do mundo a ter padrão mais rígido

linkNa Europa, país pode levar multa de US$ 500 milhões

linkANÁLISE: Medida abre para políticas públicas

Ontem, com a umidade relativa do ar ainda acima dos 30% no Estado, 11 das 41 estações da Cetesb na Região Metropolitana já teriam o ar classificado como inadequado, por causa do MP. No parâmetro atual, entretanto, somente em uma estação - a de Cubatão, cidade industrial da Baixada Santista - as condições não estavam adequadas.

Se em 2008 e 2009 já valessem os novos limites, a Região Metropolitana teria registrado 1.855 ocorrências de ar inadequado, que provoca riscos à saúde da população. No padrão atual, no entanto, só foram três registros. Hoje, o parâmetro da Cetesb estabelece limite de 150 microgramas por metro cúbico desse poluente na atmosfera. Já o nível da OMS ao fim de todo o processo é de 50 microgramas por metro cúbico. Mas até mesmo quando for estabelecida a primeira meta, de 120 microgramas (a ser alcançada em três anos e considerada "tímida" pela Cetesb), o número de ocorrências também saltará.

Ozônio. Em grandes cidades como São Paulo, ao lado do material particulado, o ozônio é o poluente mais preocupante - o tráfego de veículos responde por até 80% da poluição de MP e ozônio. Com respeito à primeira meta, os níveis de ozônio devem até parecer melhores, pela diferença entre a metodologia estadual e a OMS. Enquanto os parâmetros atuais levam em conta a exposição de uma hora, o órgão internacional considera 8 horas. Na meta final, entretanto, que é de 100 microgramas por metro cúbico - a atual é de 160 microgramas por metro cúbico -, o número de casos de ar inadequado mais que dobraria.

O dióxido de enxofre também aparecerá nos registros com a nova meta. Na Região Metropolitana, por exemplo, seriam 65 ocorrências em 2008 e 2009 - pelos dados de hoje, não houve nenhum.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.