'Aqui no albergue a maioria é trabalhadora', diz morador do local

SÃO PAULO - "Eu já sabia que ia acontecer esse preconceito. É igual ao caso do metrô de Higienópolis", diz o eletricista Luís Carvalho, de 40 anos. Ele acabou de fazer um curso técnico de três meses, gratuito e com passagem de ônibus paga pela Prefeitura, e diz que foi contratado para trabalhar nas obras do estádio do Corinthians em Itaquera. Mas ainda não tem recursos para pagar o próprio aluguel e vive há quase seis meses no Albergue Cor.

Diego Zanchetta e Rodrigo Burgarelli,

13 Outubro 2011 | 22h49

Ele explica como funciona o albergue. "São 70 vagas para moradores registrados, que podem ficar aqui até seis meses - ou, em alguns casos, um pouco mais. Temos de chegar até as 20h30 da noite e sair do prédio às 6h. Mas eles dão almoço, jantar, é tudo limpinho e organizado." Há dez outras vagas para pernoite, abertas para os primeiros moradores de rua que se apresentarem. "Quando está frio, costuma dar uma fila gigante."

De seu lado, o publicitário Ricardo Donizetti dos Santos, morador do albergue há dois meses, reclama do que ele chama de "apartheid social". "As pessoas tomam a parte como o todo. Se veem um morador de rua fumando crack e roubando, acham que todos são assim. Mas aqui no albergue a maioria é trabalhadora. E tem gente até com diploma universitário, como eu."

O eletricista Luís concorda. "Ninguém quer pobre do lado de fora de casa. Mesmo sem nem conhecer que tipo de gente mora nesse albergue."

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