''Aqui já não é o mesmo bairro''

Moradores antigos estão deixando o Ipiranga por causa da grande valorização imobiliária

Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2010 | 00h00

A exemplo do que já ocorreu em bairros como Vila Olímpia, Pompeia, Perdizes e Tatuapé, chegam as máquinas, os incorporadores, prédios de alto padrão e os novos estabelecimentos no entorno - mas o impacto na vida dos moradores tradicionais do bairro fica sempre em segundo plano.

De uma forma ou de outra, as novas construções também afetam a vida de personagens que fizeram a história do Ipiranga, que ergueram do zero os negócios familiares há décadas, mas que agora planejam ou até mesmo já começam a deixar seus endereços por causa da grande valorização imobiliária.

Abílio Gonçalves, de 81 anos, é um desses moradores tradicionais que resumem em sua boa prosa a identidade de todo um bairro. Desde 1944, ele corta cabelo dos moradores do bairro com sua navalha em uma minúscula barbearia no número 1.734 da Rua Bom Pastor. Ali, ele viu de tudo, conheceu gente de todo tipo e viu o desenvolvimento da região.

Depois de ter de mudar do Ipiranga porque "o aluguel da casa ficou caro demais", ele agora enxerga o surgimento de um novo bairro, bem mais alto, e também bem mais impessoal.

"Eu nasci aqui no bairro, vivia pelas ruas, até que minha mãe me botou no salão de barbearia para aprender alguma coisa", conta ele. "Continuo trabalhando aqui no mesmo lugar, mas já não moro mais no Ipiranga porque o aluguel não parava de aumentar. Não para de subir prédio. Esse já não é mais o mesmo bairro onde eu cresci."

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