Apurações podem desgastar ex-prefeito e sua relação com o PT

CENÁRIO: Marcelo de Moraes

O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2013 | 02h10

Aliados da presidente Dilma Rousseff preveem que a relação política com Gilberto Kassab (PSD) poderá enfrentar problemas no futuro por causa do impacto das investigações sobre pagamento de propinas na Prefeitura, envolvendo fiscais e integrantes da gestão anterior. Interlocutores da presidente avaliam que as apurações do caso, conduzidas pelo Ministério Público Estadual e pela Controladoria-Geral do Município, podem provocar desgaste na imagem de Kassab, já que dizem respeito a ex-assessores próximos a ele, como é o caso do ex-subsecretário de Finanças Ronilson Bezerra Rodrigues, e atrapalhar sua pré-candidatura ao governo estadual.

Além disso, já foram avisados que Kassab não está satisfeito com o fato de o atual prefeito, Fernando Haddad, estar aproveitando o episódio para criticar publicamente a falta de investigação do problema durante sua gestão. Na quinta-feira, o petista afirmou que "não houve investigação no ano passado, houve um expediente muito superficial a partir de uma denúncia anônima".

Segundo os interlocutores da presidente, o mau humor de Kassab em relação ao escândalo pode dificultar as negociações para a definição de uma aliança nacional entre PT e PSD em torno da candidatura de Dilma à reeleição. Apesar disso, a instrução dentro do governo é a de não criar qualquer obstáculo para que as investigações prossigam, mesmo que isso prejudique a montagem do acordo político com Kassab.

Publicamente, Kassab tem dito que não há qualquer problema no relacionamento com o governo federal. Seu partido ocupa o Ministério da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, com Guilherme Afif Domingos, mas a nomeação é considerada pela legenda como cota pessoal da presidente Dilma. Na verdade, essa versão funciona apenas como uma justificativa para que o partido possa proclamar sua independência em relação ao governo federal, mesmo ocupando um cargo no primeiro escalão.

Na prática, o comando do PSD tem total interesse em se alinhar no plano federal com a campanha de Dilma para garantir a expansão nacional da legenda e postos mais atraentes na futura administração, caso ela seja reeleita. Na disputa estadual, a conversa é outra. Se confirmar sua candidatura, Kassab sabe que terá como um de seus adversários o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, do PT. Mesmo assim, prefere um cenário de disputa sem hostilidade com o petista, já que poderá precisar se aliar com ele no segundo turno em um eventual confronto com o atual governador Geraldo Alckmin. Mas os desdobramentos da investigação sobre o pagamento de propinas podem azedar de vez o clima político entre os dois grupos e inviabilizar qualquer acordo.

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