Apuração sobre queda de muro vai levar 1 mês

Desabamento que deixou 7 mortos e 1 ferido em Sorocaba ocorreu após forte chuva; área de fábrica passava por obra para abrigar shopping

JOSÉ MARIA TOMAZELA , SOROCABA, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2012 | 02h01

A Polícia Civil vai concluir em 30 dias a investigação sobre o desabamento do muro de uma fábrica histórica que causou a morte de sete pessoas na noite de anteontem em Sorocaba, a 92 km de São Paulo. Seis vítimas foram enterradas ontem. O prefeito Vitor Lippi (PSDB) decretou luto de três dias.

O delegado José Antonio Belloti, da Delegacia Seccional, acompanhou o trabalho dos peritos. "O laudo vai se somar às outras provas para elucidar as circunstâncias do acidente, mas ainda é cedo para dizer se haverá indiciamentos." Ele requisitará as imagens de câmeras de monitoramento do trânsito que registraram a queda do muro, de dez metros de altura. Havia chovido forte na tarde de quinta-feira.

O prédio da Fábrica de Tecidos Santo Antonio, inaugurado em 1913, era tombado pelo patrimônio histórico municipal e estava em obras. As instalações estavam sendo restauradas para abrigar um shopping. A prefeitura também investiga o acidente.

O Pátio Cianê, empresa que constrói o shopping, disse em nota ser "prematuro" apontar uma causa para o acidente. Segundo a empresa, a obra estava licenciada e corria dentro dos padrões de segurança. Os trabalhos eram acompanhados pela construtora Fonseca e Mercadante. A empresa destacou que o órgão responsável pelo tombamento do imóvel acompanha as obras.

O diretor de Desenvolvimento do Pátio Cianê, Jefferson Tagliapietra, disse que os trabalhos não tinham chegado ao local do desabamento. "A área estava intacta, como havia sido construída. O prédio tem fundações e foi feito com um padrão muito bom para a época."

O projeto do shopping Pátio Cianê prevê 238 lojas, praça de alimentação, cinemas e estacionamento para 1,2 mil veículos. O empreendimento tem custo previsto de R$ 360 milhões, a maior parte seria investida na recuperação e restauração das construções antigas - que incluíam também a Fábrica Fonseca, vizinha, de 1881. Após o acidente, as obras foram embargadas.

Fotos postadas no site da Fonseca e Mercadante mostram estágios da obra anteriores ao desabamento. As imagens focam máquinas fazendo a remoção de terra e a estrutura da fábrica Santo Antonio com as paredes expostas. Técnicos da Defesa Civil avaliam as condições da parte do paredão que não caiu para definir se haverá necessidade de demolição. A Rua Comendador Oeterer, em cuja calçada fica o muro, segue interditada.

Vítimas. A assistente administrativa Evelin Cristina Siqueira, de 30 anos, seu filho Tiago Alves Siqueira, de 5, e sua irmã Nhayara Pamela Airola, de 25, estavam em um dos quatro carros atingidos pelos escombros do muro.

O vigilante Rayner Alves, de 28 anos, teve o corpo reconhecido pouco depois do desabamento pelo pai, que havia ouvido a notícia no rádio. O taxista Humberto Dias Ferreira, de 53, tinha saído do ponto em que trabalhava havia 14 anos, no Mercado Municipal, e seguia para casa.

O endocrinologista Adilson Nunes Filho, de 35 anos, que morava em Cerquilho, dirigia seu carro quando foi atingido - ele atendia em sua clínica particular e no Hospital Unimed de Sorocaba. Samantha Bianca da Conceição, de 24, voltava das compras com o marido - ela morreu na hora e ele, retirado dos escombros, apresentou sinal de vida e foi socorrido. Seu estado era considerado estável ontem.

Em clima de tristeza e revolta, parentes e amigos que acompanharam o velório de cinco das vítimas cobravam a apuração das causas do desabamento.

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