Aprovado túnel da Roberto Marinho até a Imigrantes

Câmara dá aval a passagem que deverá custar R$ 3,7 bilhões e exigirá a retirada de 16 favelas, centenas de casas e 4 residenciais

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2011 | 00h00

Quarenta mil moradores de 16 favelas, centenas de casas e lojas e quatro torres residenciais serão retirados para a construção de um túnel de R$ 3,7 bilhões entre a Avenida Jornalista Roberto Marinho, no Brooklin, zona sul de São Paulo, e a Rodovia dos Imigrantes. A maior remoção da história da Prefeitura foi autorizada ontem por 39 dos 55 vereadores paulistanos. As remoções devem começar em agosto, dois meses antes das obras.

Também haverá um parque linear de 600 mil m², quase metade do tamanho do Parque do Ibirapuera, no lugar das ocupações às margens do Córrego Água Espraiada. O pacote de mudanças para a região ainda inclui o prolongamento da Avenida Chucri Zaidan em 1 quilômetros e reformas em 48 ruas, como alargamentos e novas calçadas. A Secretaria Municipal de Habitação já cadastrou 8,5 mil famílias que vão deixar as margens do Córrego Água Espraiada para morar em conjuntos habitacionais da CDHU construídos ao longo da Avenida Ricardo Jafet. As transferências das primeiras famílias, que já recebem bolsa aluguel de R$ 300 mensais, por meio de cartão magnético da Prefeitura, devem começar em 30 dias.

Agora o governo vai reabrir a licitação colocada para consulta pública em novembro de 2009. Segundo Elton Santa Fé Zacarias, secretário de Infraestrutura, as obras para a construção do túnel devem começar em outubro. A conclusão da obra, prevista em 36 meses, vai ocorrer em 2014, ano de eleição para o governo do Estado.

É o maior e mais caro projeto viário da Prefeitura, que também planeja iniciar até o fim do ano a obra de outros dois túneis: um na Vila Mariana, entre a Domingos de Morais e a Ricardo Jafet, e outro na zona norte, entre as Avenidas Engenheiro Caetano Álvares e Cruzeiro do Sul.

Tensão. A votação do túnel da Imigrantes foi a mais tensa da noite de ontem, incluindo o reajuste do salário de Kassab. Logo após Juliana Cardoso (PT), em tom irônico, entregar um trator de brinquedo ao presidente da Câmara, José Police Neto (sem partido), houve revolta entre os governistas. A vereadora pedia ao presidente que ele entregasse o trator para o prefeito remover as famílias das favelas e construir logo seu túnel. "Não está sendo respeitada a independência dos Poderes Legislativo e Executivo. O presidente não é o office-boy do prefeito", criticou Cláudio Fonseca, líder do PPS. No meio da briga, Aurélio Miguel (PR) entrou em defesa da petista. "O senhor não falou nessa independência quando o prefeito interferiu na Casa para eleger a Mesa Diretora que você apoia", retrucou o ex-atleta.

Moradores das favelas que serão removidas, incluindo as chamadas Rocinha e Vietnã, chegaram a fazer apelos aos prantos para que os vereadores não votassem o texto. Para o líder de governo Roberto Trípoli (PV), porém, o projeto para a construção do túnel e de um parque recupera um fundo de vale degradado e ocupado irregularmente ao longo dos anos, como é o caso do entorno do Córrego Água Espraiada. "Haverá a transferência para conjuntos habitacionais. O atendimento habitacional é a primeira prioridade do projeto."

Súplica

FRANCISCA DE JESUS

DONA DE CASA, DE 69 ANOS, MORADORA NA FAVELA BEIRA RIO

"Vou perder a casa onde moro há 14 anos, por favor, vocês não podem pensar só nos carros que vão para a praia"

DEZ ANOS DE IDAS E VINDAS DO PROJETO

2001

Operação

Urbana prevê túnel de 400 m

2007

Kassab apresenta um

projeto de túnel de 4,5 km e custo de R$ 2 bilhões

2008

Traçado passa a ter 3,7 km e custar R$ 2,7 bi

2009

Texto segue para consulta pública

2011

Projeto final

prevê 2,7 km por R$ 3,7 bi

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