Aposta na asfixia e na rixa entre bandidos

Para evitar um massacre no enfrentamento contra cerca de 500 traficantes que estariam entrincheirados no Complexo do Alemão, a Secretaria de Segurança do Rio apostou na asfixia do conjunto de favelas para derrotar os criminosos. Ontem, o comandante da Infantaria de Paraquedistas do Exército, general de brigada Fernando Sardenberg, deu o tom da estratégia em entrevista aos jornalistas. "Em conjunto com a Polícia Militar, o Exército faz o cerco e fornece apoio para que as Polícias Civil e Federal cumpram suas funções."

Bastidores: Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2010 | 00h00

Diferentemente do cerco da Força Nacional de Segurança, em 2007, o Exército quer atuar de forma mais efetiva. Para isso, trouxe tropa especializada, que vai revistar carros e suspeitos e reagir a ataques. Ontem, os militares já participaram do confronto e um militar foi ferido.

Dois caminhos são possíveis para a vitória sem confronto. Em um primeiro cenário, como disse o general, os chefes do tráfico, que estão sendo monitorados por escutas telefônicas, tentariam sair do conjunto de favelas e seriam presos no asfalto por equipes das Polícias Civil e Federal. Outra hipótese é que a péssima relação entre Fabiano Atanázio da Silva, o FB, e Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, resulte em um confronto entre os dois grupos de traficantes dentro do conjunto de favelas. Com perfil mais discreto, Pezão sempre reprovou as provocações do comparsa da Vila Cruzeiro e colocou regras rígidas de respeito dos traficantes aos moradores do conjunto de favelas. Agora, os comandados de FB são hóspedes e terão de obedecer as regras de Pezão, o dono da casa. Ontem, moradores já reclamavam de casas invadidas e alguns saíram das residências. Por outro lado, os intensos tiroteios entre policiais e traficantes ontem nos acessos deixaram claro que a conquista sem enfrentamento exigirá muito mais que paciência.

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