Aposentado forma filhas e resolve estudar

Ademir Figueiró mora em Porto Alegre, cidade em que o índice dos que não sabem ler já é residual

ELDER OGLIARI / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2013 | 02h03

Depois de passar a maior parte de seus 56 anos trabalhando como instalador hidráulico do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) e de ver as duas filhas concluírem o ensino médio, o aposentado Ademir Figueiró decidiu recuperar algo que faltava em sua vida e tratou de se alfabetizar, há dois anos. "Eu sempre tive vontade de ir à escola, mas não tive oportunidade. Depois de encaminhar a família, resolvi cuidar também de mim e aprender a ler e escrever", diz, entre uma aula e outra do Colégio Paulo Freire, em Porto Alegre, onde frequenta uma turma da Educação de Jovens e Adultos (Eja).

Atitudes como as de Figueiró ajudam a melhorar as estatísticas de redução do analfabetismo no Rio Grande do Sul. A capital gaúcha registra constante queda há pelo menos 20 anos, e chegou perto de 2,5% da população, índice considerado residual. Isso se reflete na queda da demanda pelas totalidades iniciais do EJA, equivalentes ao período da 1.ª à 5.ª séries do ensino fundamental de nove anos. Há 15 anos, havia 4 mil alunos nessa faixa. Em 2013 há 2,7 mil.

Incentivo. Feliz com as descobertas que fez, Figueiró tem incentivado um irmão e amigos a também se alfabetizarem, confirmando uma percepção da Secretaria Municipal da Educação (Smed) de que a propaganda entre as pessoas da mesma faixa etária tem sido um grande chamariz para os bancos escolares.

"Depois de uma certa idade, a decisão de aprender a ler e escrever está mais vinculada à divulgação entre eles do que às necessidades do mercado", observa a coordenadora do setor de Educação de Jovens e Adultos da Smed, Simone Lovatto.

No Estado, a diretora adjunta do Departamento Pedagógico da Secretaria Estadual da Educação, Rosa Maria Mosna, diz que a pasta busca identificar bolsões de analfabetismo para investir nessas regiões com atraso educacional, em conjunto com as prefeituras. De modo geral, nos maiores aglomerados urbanos, como as regiões de Porto Alegre e Caxias, os índices de analfabetismo são menores do que em municípios com zonas rurais. Em algumas cidades do noroeste do Estado, os índices ficam entre 8% e 10%.

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