Aposentado enfarta e morre após discursar em sindicato

Idoso sente-se mal após afirmar, para uma platéia lotada, que a Petrobras é preconceituosa com aposentados

Rejane Lima, de O Estado de S.Paulo,

29 de novembro de 2007 | 16h23

O petroleiro aposentado Guilherme Rodrigues, de 72 anos, enfartou e morreu no início da noite de quarta-feira, 28, depois de discursar na assembléia do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (Sindipetro LP). De acordo com o coordenador do sindicato, Waldomiro dos Santos Pereira, Rodrigues havia acabado de discursar quando sofreu um mal súbito assim que voltou à mesa e passou o microfone para Pereira. "Ele teve um mal súbito na tarde de ontem e foi socorrido imediatamente pelo médico do sindicato. Chamamos o resgate e ele chegou com vida ao Pronto Socorro Central de Santos, mas faleceu logo depois", disse Pereira. Membro do Conselho Deliberativo da Associação de Mantenedores-Beneficiários da Petros (Ambep), Pereira conta que Rodrigues era um companheiro muito antigo e de muitas lutas. "Ele fez um discurso bastante emocionado porque tinha muita gente na assembléia. Ele disse que a empresa (Petrobras) mais uma vez estava tendo preconceito com os aposentados", afirmou. Segundo Pereira, cerca de 600 pessoas, basicamente aposentados, compareceram a essa assembléia durante a tarde para discutir o Plano de Classificação e Avaliação de Cargos (PCAC) da Petrobras. Aposentado há 23 anos, Rodrigues trabalhou como desenhista e foi diretor da Associação dos Trabalhadores Aposentados e Pensionistas do Sistema Petrobras (Astaipe-Santos). O corpo do petroleiro foi enterrado às 14 horas no Cemitério da Filosofia, no bairro do Saboó, em Santos. Plano de Classificação e Avaliação de Cargos Além da assembléia dos aposentados, o Sindipetro-LP realizou outras três reuniões para discutir o PCAC, uma de manhã para funcionários de turno, outra à noite para os empregados administrativos e uma na subsede de São Sebastião, no litoral norte. Os sindicalistas rejeitaram o plano, sendo contabilizados 908 votos contra a proposta, cinco a favor e uma abstenção. O Sindipetro-LP alega que o PCAC cria a multifuncionalidade em vários cargos e valida o código de ética imposto pela empresa, que segundo os trabalhadores foi escrito de forma subjetiva tornando-se um meio de punição de funcionários. Em relação aos aposentados, a crítica é de que o PCAC possui uma tabela de salários congelada (reajustada apenas pela inflação), indo de encontro às garantias dadas pela Petros de que aposentados têm direito aos mesmos ganhos que os empregados na ativa.

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