Aposentada vai entrar na Justiça para reaver macaco de estimação

Animal que morava com a família havia 37 anos foi levado pela Policia Ambiental a pedido do Ibama

Sandro Villar, Especial para o Estado

06 de agosto de 2013 | 14h32

PRESIDENTE PRUDENTE - A aposentada Elizete Farias Carmona, de 71 anos, deve entrar, nos próximos dias, com uma ação na Justiça de São Carlos, no interior paulista, para ter de volta o macaco-prego que a Polícia Ambiental, levou embora no sábado, 3, após 37 anos com a família. Uma advogada vai cuidar do caso sem cobrar nada pelo serviço. "Ela vai se reunir com a nossa família na quinta-feira e, após receber o relatório de um biólogo, tentará resgatar o macaco para a minha mãe nem que seja provisoriamente até o juiz tomar a decisão definitiva", diz Everaldo Furlan, de 43 anos. Uma boa medida, para a família, seria abrigar o macaco no Parque Ecológico de São Carlos. "Minha mãe poderia visitar o macaco no parque", afirma. O mandado de apreensão do animal foi expedido pela Justiça por solicitação do Ibama.

"Ela pode morrer de tristeza, está bastante abatida porque não come direito", disse Furlan, explicando que a mãe, que sofre do coração e dos pulmões, viajou nesta terça-feira, 6, para Campinas para fazer exames na Unicamp.

Além da ação na Justiça, há a movimentação dos internautas. "Mais de 17 mil pessoas usaram as redes sociais em apoio à minha mãe. Afinal, não foram 37 dias, foram 37 anos de convivência com o macaco que, soube agora, é macaca", conta Furlan, que considera injusta a apreensão solicitada pelo Ibama à Justiça. "Minha mãe conseguiu licença do Ibama em 1999, ela entregou o documento à Polícia Ambiental no ano passado e não pegou o papel de volta talvez por esquecimento por causa da idade. Eles (policiais) sumiram com o papel e, desta vez, apreenderam o macaco porque minha mãe estava sem a licença", disse. "Minha mãe tratava o macaco como filho bem cuidado que só dormia dentro de casa."

Carla. Depois de ser apreendido, o macaco-prego dourado foi levado para a Associação Protetora de Animais Silvestres (APASS), em Assis. É uma ONG que cuida de 700 animais, muitos deles apreendidos. Veterinários descobriram que o macaco é uma fêmea e, em homenagem à cidade de São Carlos, recebeu o nome de Carla e passou a viver com outros 18 primatas.

A macaca está bem, mas tem sequelas e não pode ser solta na natureza. "Ela tem atrofia nas patas e cicatrizes no pescoço provocadas pela coleira. Ainda não pula e não sobe em árvore pelo tempo que ficou sem atividade. Se for solta na natureza, pode morrer. Só sobreviveria na companhia de um bando de macacos", avisa Aguinaldo Marinho de Godoy, de 40 anos, tecnólogo em meio ambiente e presidente da APASS.

Depois de dizer que Carla está "feliz", ele contou que a alimentação dada à macaca estava errada. "Ela comia arroz, feijão e farinha com temperos, o correto é dar verduras, legumes e frutas", observa, lembrando que a macaca pode "não querer mais contato" com a dona porque, agora, o animal passou a se comportar como macaco, sem coleira e corrente. Quanto à devolução, ele completa que "quem decide é o juiz".

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