Após um século, inventor do rádio vira cidadão paulistano

Câmara concedeu o título póstumo ao padre Roberto Landell de Moura, que fez a primeira transmissão em 1884

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2011 | 00h00

Com mais de um século de atraso, o inventor do rádio ganhou título póstumo de cidadão paulistano. É o padre Roberto Landell de Moura (1861-1928), gaúcho que morou em São Paulo, de onde transmitiu as primeiras ondas radiofônicas, em 1884.

O título foi recebido ontem na Câmara Municipal de São Paulo por Zemo José de Almeida, sobrinho-neto de Landell. Autor do projeto, o vereador Eliseu Gabriel (PSDB) afirma que o padre não foi devidamente reconhecido em vida por seus méritos científicos. "De certo modo, ele foi até desrespeitado. Pediu o apoio do governo na época da invenção e acharam que ele era louco."

O Estado noticiou em primeira mão as transmissões de Landell em 1899 e o jornal The New York Herald, dos Estados Unidos, chamou-o de "o inventor do telefone sem fio" em reportagem de 1902. Mas os créditos de "pai do rádio" ficaram com o físico italiano Guglielmo Marconi, que desenvolveu um telégrafo sem fio nessa mesma época.

"Ele tem a fama de ser inventor do rádio, mas não foi. O aparelho do Marconi transmitia sinais de som. O de Landell transmitia voz humana, o rádio de fato", diz o historiador Hamilton Almeida, autor do livro Padre Landell de Moura: Um Herói sem Glória e um dos criadores do Movimento Landell de Moura (MLM).

Almeida conta ainda que o clérigo não só foi precursor do rádio, mas também das telecomunicações como um todo: foi ele o responsável pelos primeiros protótipos do que viria a ser, um dia, a televisão. "A informação oficial é que a TV foi inventada em 1926, mas ele projetou uma televisão antes, em 1904." O site do MLM (www.mlm.landelldemoura.qsl.br) já recolheu 5 mil assinaturas, que vão fazer parte de um manifesto - eles querem o reconhecimento oficial do padre como cientista criador do rádio.

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