Após tumulto no metrô, usuários vão parar em hospital

Problema na Linha 8 faz passarela da Estação Pinheiros ficar lotada; chuva ainda causou transtornos nas principais avenidas

O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2013 | 02h00

O excesso de passageiros que utilizaram as Estações Pinheiros do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), na noite de ontem, levou à superlotação da passarela que conecta as duas plataformas. Conforme os relatos obtidos pelo Estado, pelo menos 11 pessoas precisaram de auxílio - três delas tiveram de ser retiradas do local em ambulâncias. A estrutura, sobre a Marginal do Pinheiros, ficou abarrotada às 19h30.

O problema começou na Linha 8-Diamante da CPTM, que parou de funcionar entre a Lapa e a Barra Funda, na zona oeste, por causa de um alagamento. Com isso, os funcionários da empresa passaram a direcionar os usuários vindos de Itapevi e Osasco, na Grande São Paulo, para a Linha 9-Diamante da CPTM, e, depois para a Linha 4-Amarela, desembarcando em Pinheiros, com o intuito de ir ao centro.

Só que, ao mesmo tempo, no sentido oposto, a CPTM indicava, para quem estava na Barra Funda e precisava chegar a Osasco e região, o uso da Linha 3-Vermelha do Metrô e da Linha 4 também até a Estação Pinheiros, para acessar a Linha 9. Somado ao grande fluxo de pessoas que naturalmente se forma no horário de pico na estação, a carga extra de passageiros agravou a superlotação da passarela, que ficou estreita para tamanha demanda.

Feridos. O analista de sistemas André Souza Games, de 27 anos, conta que ficou quase duas horas esperando a superlotação terminar. Ele trabalha na zona sul e mora na zona leste. Passa todos os dias pela integração da CPTM com a Linha 4, em Pinheiros, mas disse nunca ter visto o local tão caótico. "Contei 11 mulheres que tiveram de ser carregadas por populares ou funcionários da CPTM porque passaram mal. Duas delas estavam grávidas."

Relatos de passageiros indicam que as proteções de vidro laterais da passarela, suspensa sobre a Marginal do Pinheiros, balançavam com a grande quantidade de pessoas. Algumas chegaram a pular essa barreira. Um homem teria caído da passagem na plataforma da CPTM, se ferindo. A empresa, no entanto, negou essa informação.

No momento do caos, porém, usuários eram vistos até no teto da passarela. Segundo testemunhas, ao menos cinco ambulâncias tiveram de ser acionadas para atender aos feridos. Os veículos paravam na Rua Capri, na porta da estação. A CPTM informou só ter encaminhado três pessoas para o pronto-socorro - duas delas por "mal súbito" e outra por ter escorregado e se machucado na estação. A empresa governamental não comentou os relatos colhidos pelo Estado. Passageiros afirmaram que uma pessoa teria quebrado a perna.

Às 19h55, uma das duas vias entre a Lapa e Barra Funda da Linha 8 foi liberada. Mas outro defeito, na região da Estação Luz da Linha 4-Amarela, fez um trem ter de ser recolhido, prejudicando a circulação de composições na via após as 19h42. Com isso, os trens passaram a rodar com velocidade reduzida em toda a linha por mais de uma hora, agravando a lotação nas estações, sobretudo na Pinheiros. A concessionária ViaQuatro não informou o que causou a pane técnica no trem, nem se havia alguma relação com a chuva.

Via-sacra. A volta para casa também foi difícil para quem enfrentou congestionamentos e as dezenas de pontos de alagamento no carro. Helena Caldeira, representante da associação Morumbi Melhor, estava em casa na hora da chuva, mas ficou monitorando os passos do marido e do filho. Moradora do Morumbi - um dos bairros mais atingidos -, ela temia os granizos que batiam em sua janela. "Aqui é uma região muito complicada, cheia de córregos com lixo."

Na zona leste, a chuva foi tanta que estourou canos de esgoto. A sujeira chegou a invadir algumas residências. A diarista Nádia Santos, de 29 anos, que mora em Itaquera, assustou-se ao chegar em casa e encontrar esgoto dentro da sala. "Nunca tinha acontecido isso." Do outro lado da cidade, a água entrou em bares e padarias, provocando prejuízos na Vila Madalena, zona oeste. Até a região da Avenida Paulista teve ruas cheias d'água. / ADRIANA FERRAZ, BRUNO RIBEIRO, CAIO DO VALLE, NATALY COSTA E VALÉRIA FRANÇA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.