ALEX SILVA/ESTADAO
ALEX SILVA/ESTADAO

Após temporal, bairros de SP permanecem sem luz

Problemas causados pelas chuvas e por queda de árvores continuavam um dia após temporal; Eletropaulo não informa alcance do problema

O Estado de S. Paulo

21 Outubro 2016 | 17h50

Mais de 24 horas após o temporal que causou estragos e deixou dois mortos em São Paulo, o paulistano ainda sofria as consequências da chuva. O Corpo de Bombeiros registrou, desde a tarde de quinta-feira, 20, 153 ocorrências de queda de árvores. O site da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informava, à noite, que ao menos 45 semáforos estavam fora de operação – a maioria na zona oeste. A falta de luz também provocou transtornos.

Apesar de questionada, a AES Eletropaulo, responsável pelo fornecimento de energia elétrica, não informa quantos e quais bairros foram atingidos – nem o número de residências. Em sua avaliação, “as maiores ocorrências são pontuais”. Mas admite que as regiões que mais sofreram foram as zonas oeste e sul. A reportagem ouviu relatos de moradores de Cidade Jardim, Pinheiros, Vila Madalena, Alto de Pinheiros, Pompeia, Perdizes, Itaim-Bibi, Vila Olímpia, Perus, Butantã, Pacaembu, Jabaquara e Brooklin.

Segundo os moradores, os intervalos de falta de luz variavam de 6 horas a 24 horas. Em alguns pontos, a previsão de retorno seria para a madrugada de hoje, totalizando mais de 30 horas sem energia. 

Edifícios da Rua Joaquim Antunes, em Pinheiros, estavam havia mais de 24 horas sem energia. Uma palmeira havia encostado na fiação elétrica, provocando um estouro. “Estamos ligando na Eletropaulo o dia todo. Eles sempre dão uma previsão algumas horas mais tarde”, conta o porteiro Agnaldo Silva dos Santos. Com a falta de energia, elevadores, portão eletrônico e interfones não funcionavam. “Ave Maria, toda hora vem um morador aqui na portaria reclamar.”

À tarde, era possível ver dezenas de árvores caídas na Lapa, região castigada pela chuva. Na Rua Brentano, uma delas derrubou a fiação e cortou o fornecimento de luz na casa do aposentado Francisco Mariz, de 87 anos. “Ela estava completamente podre e seca”, afirma.

Mariz estava preocupado. A mulher dele, de 78 anos, sofreu um AVC e precisa ficar de repouso. A filha, com quem também divide a casa, tinha de ir para o trabalho. “Estamos sozinhos, passando essa privação”, diz. “A comida estragou na geladeira, não dá para tomar banho nem fazer nada que um pessoa normal faz.”

Na Rua Albion, uma árvore de grande porte caiu sobre dois automóveis e arrancou dois postes do chão, na frente da casa do consultor empresarial Lauro Kerry, de 35 anos. “Há dez anos minha família tenta com a Prefeitura retirá-la”, diz. “Era uma árvore centenária, estava cheia de cupim. Meu medo maior era machucar alguém.”

Um dos carros atingidos é do comerciante Carlos Martins, de 31 anos, que tem uma lanchonete no local. “Estava cheio de cliente. A árvore ficou balançando e, quando caiu, os fios do poste ficaram ligados. Nós passamos duas horas presos”, conta. A falta de energia também causou prejuízo. “Já joguei três sacos de lixo com queijo, presunto, frango, carne seca...”

Em nota, a Prefeitura diz que as chuvas representaram quase 50% do volume esperado no mês para a zona oeste. Também afirma que lançou um plano arbóreo, em 2015, podou 15 mil árvores e removeu outras 2 mil desde então. A Eletropaulo informa que o problema foi provocado por quedas de árvore e que 1,2 mil colaboradores da empresa atuaram para tentar normalizar a situação. Também diz que faz podas e que a previsão é de 500 mil neste ano. 

Prioridade. Em visita a Perus, na zona norte, o prefeito eleito João Doria (PSDB) afirmou que a “situação machuca realmente a cidade”. Na Avenida Silvio de Campos, por onde caminhou e tirou selfies, o comércio estava às escuras pela manhã.

Segundo Doria, o assunto será pauta da reunião com o prefeito Fernando Haddad (PT), na próxima quarta-feira. Haddad já teria se comprometido a antecipar o trabalho antialagamento para este mês. “Para permitir que haja redução desse risco – das enchentes, sobretudo –, com limpeza de córregos e bueiros.” Doria afirmou que não terá problemas com verbas para drenagem, porque tem ajuda dos governos federal e estadual. “Será um governo de integração.”

 

 

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