Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Após ser tomada pelo 'fluxo', Praça Princesa Isabel inaugura revitalização

As obras, feitas por uma empresa privada que também será responsável pela manutenção do lugar por 12 meses, duraram cerca de três meses a custo de R$ 2 milhões

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2018 | 18h58

SÃO PAULO - Um ano após a Praça Princesa Isabel ser tomada pelo “fluxo”, como é chamada a concentração de usuários de drogas da Cracolândia, na região central de São Paulo, a Prefeitura entregou nesta sexta-feira, 11, a revitalização do espaço, com bancos novos, pista de corrida, quadra poliesportiva e Espaço Pet. As obras, feitas por uma empresa privada que também será responsável pela manutenção do lugar por 12 meses, duraram cerca de três meses a custo de R$ 2 milhões.

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O evento de inauguração aconteceu nesta manhã. “Quanto mais a gente tiver – e a gente vem verificando (a presença de) famílias, crianças, idosos – quanto mais se apropriarem da praça, menor vai ser a possibilidade de ela voltar a ser utilizada com foi utilizada antes”, disse o prefeito Bruno Covas (PSDB).

Com área de 16,6 mil m², que já foi hipódromo recebeu corridas de cavalo até 1876, a Praça  Princesa Isabel chegou a virar a “Nova Cracolândia” no ano passado. Em maio de 2017, uma megaoperação policial no “quadrilátero da droga”, então formado pela Alameda Dino Bueno com a Rua Helvétia, expulsou usuários e traficantes do antigo fluxo. Com a ação, os dependentes químicos se instalaram na Princesa Isabel, a 500 metros de distância do lugar original, onde montaram tendas e barracas.

Na época, moradores e comerciantes do entorno da Praça reclamaram de degradação e abandono, além de denunciarem furtos e roubos que seriam praticados por frequentadores da Cracolândia. No entanto, um mês depois, em junho, o “fluxo” deixou a Princesa Isabel e voltou para o território antigo, onde permanece até hoje, com cerca de 400 pessoas durante o dia e até 800 à noite, segundo a Prefeitura.

“Quando acontece uma coisa boa na região, a gente tem de comemorar muito”, afirmou Iézio Silva, presidente da Associação dos Moradores e Comerciantes de Campos Elísios. “Era como se os moradores estivessem no regime semiaberto. Só podia sair para trabalhar, depois tinha de ficar trancado em casa.”

Revitalização. Nesta manhã, crianças, acompanhadas dos pais, brincavam no parquinho da praça. Outros novos frequentadores aproveitavam para descansar à sombra das árvores, sentados nos bancos reformados. Recém-implantados, os aparelhos de ginástica também são aproveitados de jovens a idosos.

Pela área da Praça, guardas-civis e policiais militares faziam ronda. Uma nova base da PM também foi construída no local e é aposta da gestão municipal para que garantir a segurança dos presentes. No época que foi ocupada pelo “fluxo,” a Princesa Isabel tinha duas bases móveis da PM, o que não impediu os usuários de passarem um mês acampados lá.

O Estado esteve na Princesa Isabel na  última quarta-feira, 9, e viu agentes de segurança abordarem usuários de droga que estavam no local. Pediam documentos e depois liberavam. Por volta das 10 horas, havia 17 moradores de rua dormindo no gramado da Praça revitalizada. Nesta manhã, dia marcado para a inauguração, não havia nenhum. 

Segundo Bruno Covas, desde a megaoperação do ano passado, mais de 1 mil pessoas foram presas na região por suspeita de tráfico. “A gente precisa lembrar que foram mais de 5 mil internações feitas na área da saúde”, disse. “É uma questão não apenas de cuidar dos espaços mas, acima de tudo, destas pessoas e demonstrar a elas que há uma saída.”

Na opinião do prefeito, a Cracolândia é um “problema crônico”. “Não podemos ainda comemorar o fim de uma área degradada como a Cracolândia, mas acho que cada vez mais a gente vem tendo pequenas conquistas”. afirmou. “Lá na frente, a gente vai poder comemorar isso.”

A dona de casa Jaqueline de Jesus, de 47 anos, comemorou a revitalização. “Tenho fotos minhas de criança brincando nesta praça com minha mãe”, disse a moradora do Campos Elísios, que começou a passear duas vezes por dia com o seu cachorro Nico, na Praça. “Eu chego 21 horas, 22 horas e me sinto segura”, contou. “Sempre saí com receio, agora parece um sonho.”

Há 25 anos dono de uma banca de revista na Princesa Isabel, Daniel de Souza, de 61, é mais reticente. “Os usuários de drogas afastam as famílias”, disse o comerciante. “Pelo tempo que estou aqui, acho que não vai dar certo”, afirmou. “Começou a movimentar, mas na hora que os pais  virem os moradores de rua e os usuários na praça, não vão querer voltar.” 

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