Após ser preso, sociólogo deu início à ação

A ação julgada pelo Supremo nasceu há três anos em uma delegacia do Catete, na zona sul do Rio. Na ocasião, o sociólogo Renato Athayde Silva e quatro manifestantes foram presos por apologia ao crime em Laranjeiras, enquanto distribuíam panfletos com convites para uma passeata pela descriminalização.

Bruno Boghossian, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2011 | 00h00

Renato se uniu então aos advogados André Barros e Gerardo Santiago para buscar uma solução definitiva: enviaram uma representação ao Ministério Público, que propôs à corte mais alta do País a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 187, julgada anteontem. "Finalmente, o debate sobre a legalização das drogas é possível", avalia Gerardo. "Antes, havia uma censura a essa discussão."

Os três participam de um dos movimentos organizadores da marcha da maconha no Rio e militam pela legalização da droga no Brasil. Desde 2009, eles utilizavam habeas corpus preventivos para realizar marchas.

Gerardo chegou a defender a causa quando se candidatou a vereador em 1996, pelo PT. Obteve apenas 1.480 votos. "Eu me sentia um extraterrestre, porque pouca gente compreendia."

Renato, que é ligado ao PSOL, ainda foi detido mais uma vez, em abril deste ano, sob acusação de apologia. Agora, acredita que a liberdade concedida às marchas vai abrir caminho para a legalização da maconha no Brasil. "Nosso objetivo é a legalização. Defendemos o cultivo doméstico e o uso medicinal, por exemplo, mas não queremos propaganda de drogas. A regulamentação da produção deve criar regras para proteger a saúde dos usuários e evitar problemas como violência e corrupção."

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