Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Após seis meses, Estaiadinha será liberada na segunda-feira

Ponte Governador Orestes Quércia - que liga a Marginal do Tietê, no Bom Retiro, à Avenida do Estado - foi reformada após incêndio

Mônica Reolom e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

16 Maio 2014 | 16h36

Atualizada às 21h10

SÃO PAULO - Após seis meses de interdição e reformas, a Ponte Governador Orestes Quércia, na Marginal do Tietê, conhecida como Estaiadinha, será liberada para o tráfego de veículos na segunda-feira, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

O horário da liberação não foi definido pela Prefeitura, já que no local ainda há entulho e equipamentos. A CET espera que os veículos já circulem no pico da manhã, após a empresa contratada pela Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) fazer a limpeza. A pasta disse que a remoção do material em cima da ponte será concluída neste domingo.

A ponte Estaiadinha - que liga a Marginal do Tietê, no Bom Retiro, à Avenida do Estado - foi interditada pela Prefeitura em 17 de novembro do ano passado, sem prazo de reabertura.

Engenheiros da Prefeitura constataram que dois incêndios sob a estrutura haviam atingido cabos de sustentação e suportes de borracha que travam os estais (cabos compostos por cordoalhas de aço e revestidos com uma capa que impede o desgaste pela ação do tempo) na pista. De acordo com a secretaria, 11 estais foram recuperados durante a reforma.

Também foi feita a troca de revestimentos de estruturas, nova concretagem em alguns trechos e substituição do sistema de ancoragem dos estais.

Favela sob a ponte. As chamas que atingiram a estrutura foram causadas por um incêndio em uma favela localizada sob a ponte, durante uma reintegração de posse. Houve confronto entre os sem-teto que moravam no local e a Tropa de Choque da Polícia Militar e, por isso, o Corpo de Bombeiros teve dificuldade para chegar até o local. Nesse dia, o incêndio queimou a ponte durante duas horas.

De acordo com o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), a ocupação sob a ponte teve 697 famílias.

Após a reintegração de posse, o incêndio e a interdição, as famílias ligadas ao MTST que moravam no terreno público sob a "Estaiadinha" se mudaram para a calçada da Avenida do Estado, na frente do pátio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

Nos quatro meses em que estiveram acampados na rua, os sem-teto firmaram uma espécie de acordo de cavalheiros com o órgão e um posto de combustível, lembra Luciano Antonio do Nascimento, de 34 anos, o Batoré, um dos responsáveis pela ocupação.

Os sem-teto usavam os banheiros e, em troca, faziam a limpeza. "Seis crianças nasceram na calçada, foram para o hospital e voltaram para a ocupação", afirmou.

De acordo com Nascimento, cerca de 250 famílias se mudaram na época para a calçada.

Depois, os sem-teto que estavam no local acabaram indo para outras ocupações na capital paulista. Alguns deles, como Nascimento, hoje vivem na ocupação Copa do Povo, no Parque do Carmo, na zona leste.

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