Após roubos, shoppings aumentam segurança e clientes mudam hábitos

Centros de compra adiantam investimentos em vigilância e repensam métodos de controle enquanto consumidores ficam mais atentos

Bruno Tavares e Valéria França, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2010 | 00h00

O arquiteto Artur Jorge Soares Ferreira, de 39 anos, costumava fazer uma pausa no Shopping Cidade Jardim entre um cliente e outro. "Sempre foi meu ponto preferido para almoçar, lanchar e fazer compras", conta. Dono da grife Lulu, o empresário Jairo Grinberg tinha o hábito de passear com os filhos e a mulher no Shopping Ibirapuera, em Moema, nos fins de semana.

A rotina desses dois paulistanos começou a mudar em maio, quando bandidos armados com submetralhadoras invadiram o Cidade Jardim, reduto de grifes internacionais, para roubar a joalheria Tiffany. Vinte e dois dias depois, o shopping voltou a ser alvo de assaltantes, que entraram na loja da Rolex. Há oito dias, uma quadrilha levou 150 relógios de uma loja do Shopping Ibirapuera. E ontem, mais um foi roubado (leia ao lado).

Só neste ano, o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) registrou dez assaltos a joalherias e relojoarias, oito na capital paulista. Muitos aconteceram no fim de semana, o que preocupa ainda mais as empresas de segurança.

"A gente nunca imagina que pode acontecer uma coisa dessa num shopping", diz Grinberg, que ficou mais cauteloso nos seus passeios. "Agora os filhos andam de mãos dadas comigo e minha mulher toma cuidado com a bolsa." Ferreira foi mais radical. Tem preferido o comércio da Rua Oscar Freire, nos Jardins, aos shoppings.

Não foram apenas os clientes que se assustaram. A Verzani & Sandrini, empresa que faz a vigilância de 38 shoppings de São Paulo, entre eles o Iguatemi, já foi procurada por mais da metade dos clientes para revisar sistemas de segurança. "Muitos decidiram antecipar investimentos, como a compra de câmeras para pontos vulneráveis. Outros resolveram reforçar o efetivo de vigilantes", diz Flávio Sandrini, superintendente da VS Segurança.

Algumas mudanças são imperceptíveis, mas outras foram tão grandes que já se nota a diferença. O Cidade Jardim, por exemplo, aumentou o número de vigilantes e fechou as portas para pedestres. Agora, quem chega a pé entra pelo antigo acesso de funcionários e passa por detector de metais. O serviço de manobrista deixou a entrada do shopping e passou para o 2.º subsolo.

A Tiffany agora tem segurança na porta. "Colocamos uma guarita blindada e suspensa do lado de fora e o vigia não tem como ser rendido", diz José Jacobson Neto, vice-presidente da GP Segurança, que vigia o shopping.

Apesar dos investimentos extras nos últimos meses, os shoppings sempre gastaram muito com segurança. Segundo a Associação Brasileira dos Lojistas de Shoppings (Alshop), um estabelecimento de grande porte desembolsa de R$ 2,5 milhões a R$ 3 milhões por ano com equipes e sistemas de vigilância. Esse valor representa até 35% das despesas pagas pelos lojistas.

Invasão. "Todo shopping, por mais seguro que seja, tem pontos vulneráveis", diz a personal shopper Ana Dias. Os problemas variam segundo a localização e o perfil do shopping. No Paulista, seguranças têm de lidar com invasões de garotos de rua, que os clientes imaginam ser arrastões. "Nos shoppings de luxo, sabe-se que o foco não é a clientela", diz Grinberg. "Isso é um alívio."

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