Gabriela Biló
Gabriela Biló

Após roubos, alunos e pais têm medo de caminhar até colégios

Diretora de escola na zona norte conta que pediu reforços e diz que é comum o uso de drogas e o assédio a meninas da unidade

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

03 Julho 2016 | 05h00

Já se passaram dois meses desde que a estudante Pietra, de 11 anos, teve o celular roubado e apanhou de um assaltante a caminho da Escola Municipal Raul de Leoni, na Vila Pedra Branca, zona norte da capital. Mas o medo persiste. “Qualquer pessoa parecida com o bandido que ela vê na rua, já fica com medo”, contou a mãe da menina, Débora, de 41 anos.

A garota ganhou um celular modelo iPhone 4S da mãe, que custou R$ 1.200, mas tinha sido impedida de levar o aparelho para a escola. Saiu de casa com o objeto escondido.

A alguns metros do colégio, na Avenida Santa Inês, foi abordada por um rapaz sem camisa e de chinelos, aparentando ter mais ou menos 25 anos, que a empurrou contra a parede. Com a força do impacto, a garota ficou atordoada e caiu no chão. “O homem subiu nela e começou a chacoalhar para arrancar o celular”, afirmou a mãe. Depois do episódio, a jovem só vai para o colégio acompanhada por vizinhos.

O episódio não é incomum naquela escola. A diretora da unidade, Márcia Madalena, disse que já pediu reforços na região. “Esses casos são muito comuns. Também tem gente que fica na porta da escola usando e oferecendo drogas para os estudantes. Fora alguns carros que ficam abordando as meninas, tentando fazer aliciamento”, disse.

A unidade é atendida por guardas fixos que fazem o “bico oficial”, mas, segundo a diretora, eles só vão no período da tarde, no máximo três vezes por semana.

“É muito difícil ter guarda aqui. É uma região barra-pesada”, contou a auxiliar de limpeza Viviane Alberto, de 38 anos, que tem uma filha na unidade. “Tive de pagar perua. Só assim para eu me sentir mais segura.”

Também na zona norte, pais têm pedido aumento no policiamento da creche Joaquim Thomé Filho, que atende crianças de 0 a 3 anos. A unidade fica em uma rua estreita e há fluxo de usuários de droga até durante o dia. “Tem de tomar cuidado com as nossas crianças. Elas olham a pessoa usando droga e não sabem o que é. Durante a noite até tem guarda, mas durante o dia é vazio, um deserto”, disse a dona de casa Isabel Nascimento, de 38 anos, que tem três filhos na unidade. A cabeleireira Refina do Nascimento de Lana, de 41, contou que já viu até gente apanhando durante roubo. “Tiveram de esconder as crianças para não ver.”

Beco. Atrás da creche há outra escola, a Professora Cleide Moreira dos Santos, que atende pré-escola (4 e 5 anos). O acesso à unidade é feito por uma rua estreita, conhecida como “esquininha”, em que, segundo moradores, há frequente uso de drogas. “Tem bastante usuário ali. É onde ficam escondidos”, afirmou uma professora.

Mãe de três crianças no local, a dona de casa Flávia Musetti, de 34 anos, diz que nunca presenciou casos de violência, mas o uso de maconha no entorno do colégio é recorrente. “Poderia ter mais guarda aqui para dar uma inibida.”

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