Após roubo, vítima é queimada em carro

Vendedor e amiga ficam 4 horas com dupla que tentava sacar dinheiro; no fim, bandidos atearam fogo no veículo do rapaz com ele dentro

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2012 | 03h06

"Não tem dinheiro? Então, vamos acabar com a sua vida!" A frase foi ouvida pelo vendedor Marcelo Bustamante Gonçalves, de 26 anos, vítima de um sequestro relâmpago, momentos antes de criminosos incendiarem um carro com ele dentro. Com queimaduras em 10% do corpo, o rapaz sobreviveu.

O Pálio de Bustamante foi abordado na noite de anteontem por dois homens em uma moto, quando ele estava parado em um semáforo da Avenida Carlos Caldeira Filho, no Capão Redondo, zona sul de São Paulo. Os dois bandidos entraram no veículo e um terceiro homem assumiu a moto.

Na hora da abordagem, o vendedor estava com uma colega de trabalho, Daiana da Silva, de 22 anos. "Ele havia cortado o cabelo e estava indo para o shopping", disse a irmã do vendedor, a funcionária pública Cíntia Bustamante, de 31 anos. Os dois foram encapuzados e colocados no banco de trás.

Durante quatro horas, os bandidos percorreram lojas de conveniência e outros estabelecimentos na tentativa de sacar dinheiro das vítimas, sem sucesso. O pai de Bustamante, um aposentado de 57 anos que pediu para não ser identificado, afirmou que o rapaz ainda não havia recebido o salário e não tinha dinheiro na conta.

Os bandidos fizeram de tudo para aterrorizar as vítimas. Ameaçavam os dois de morte e falavam que iriam estuprar a vendedora. A dupla resolveu liberar a mulher e seguir com o rapaz para a Rua Ana Aslan, no Jardim das Rosas, ainda na região do Capão Redondo.

Os bandidos bateram em Bustamante e fizeram uma ameaça: se ele ousasse sair do carro, seria morto. "Então, colocaram fogo no carro. O fogo começou a pegar nele e ele se desesperou", disse o pai. De acordo com o aposentado, o rapaz teria saído correndo para o mais longe que pôde. "Ele achava que ia morrer e resolveu tentar fugir", disse o aposentado.

Quando o rapaz saiu do carro, os bandidos haviam fugido. Levaram apenas o aparelho de som do veículo. A vítima foi levada para um hospital da Intermédica, em Santa Cecília, na região central. Sofreu queimaduras de primeiro e segundo graus nas pernas, nos braços e no rosto.

Familiares disseram que o rapaz estava consciente, mas muito traumatizado com o que aconteceu. A vítima passará nos próximos dias por uma consulta com um cirurgião plástico. Não há prazo para que o Bustamante tenha alta.

Investigação. O delegado titular do 47.º Distrito Policial (Capão Redondo), André Luiz Antiqueira, disse que ainda não havia suspeitos para o crime até a tarde de ontem. "Os policiais estão tentando levantar quais são as lojas em que eles tentaram fazer compras para conseguir imagens dos bandidos", disse o delegado. Segundo ele, outra aposta é tentar localizar pessoas que tenham visto os bandidos perto do local onde colocaram fogo no carro.

Na tarde de ontem, os policiais já haviam ouvido Daiana e tentariam contato com Bustamante para tirar dúvidas sobre como aconteceu o crime. A violência dos criminosos deixou indignados os familiares do jovem queimado. "Fazer o que fizeram com ele é desumano, por ser uma coisa banal", afirmou o pai do vendedor.

O rapaz, que mora na mesma região onde foi abordado pelos bandidos, já havia sido vítima de roubos outras vezes, segundo seus familiares. Em nenhuma delas, porém, havia sofrido violência parecida.

Crueldade. Os criminosos de São Paulo têm se superado no grau de crueldade. No mês passado, uma empresária foi feita refém no Morumbi e bandidos amarraram uma falsa bomba ao corpo dela. Acabou obrigada a ir até a Oscar Freire para roubar uma joalheria. No mesmo mês, bandidos fizeram um perito da Polícia Civil refém. Ele teve gasolina jogada no corpo e acabou incendiado pelos bandidos. /COLABOROU RICARDO VALOTA

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