Após roubo, Pinacoteca decide instalar detector de metais

Duas gravuras de Picasso, um quadro do Di Cavalcanti e um guache de Lasar Segall foram levados do museu

da Redação, estadao.com.br

13 de junho de 2008 | 16h48

 A Estação Pinacoteca, de onde foram roubadas na quinta-feira, 12, três telas e uma gravura, deve instalar detectores e começar a fazer revistas no visitantes. Segundo a direção da instituição, os procedimentos de segurança já começaram a ser reforçados nesta sexta-feira, 13. Apesar de ter 25 vigias, cerca de dois por sala, a unidade não estava preparada para um assalto a mão armada. Após o roubo, detectores de metal devem ser instalados no local.   Veja também: Galeria com as telas roubadas pelo mundo  Vídeo com os momentos do roubo Há seis meses bandidos levaram obras do Masp Bandidos aproveitaram excursão escolar para levar obras Masp divulga nota de solidariedade Pinacoteca exibe obras da Fundação Nemirovsky 50 anos sem Lasar Segall, um lituano no Brasil   O museu não utiliza detectores de metal e os seguranças não usam armas. A Estação, que faz parte da Pinacoteca do Estado, está instalada no centro da cidade, na região chamada de Cracolândia. Os assaltantes entraram armados no prédio e ainda portavam ferramentas para retirar as telas que estavam fixadas na parede. Para não levantar suspeita, os três bandidos pagaram os ingressos de R$ 4.   Uma atendente foi obrigada a se deitar, sob a ameaça de uma pistola, e outros dois seguranças foram afastados do local onde estavam as obras. Enquanto um dos assaltantes dominava os vigias, os outros dois retiravam os quadros. A ação durou 10 minutos. Os quadros e a gravura roubados, que não eram segurados, estavam expostos na mesma sala, no segundo andar da Estação Pinacoteca. Funcionários da instituição disseram que no momento do assalto havia u ma excursão escolar visitando o museu. A informação foi negada pelo governo do Estado, que afirmou que, no momento do roubo, só estavam no prédio os assaltantes e os funcionários.   Crime encomendado   A polícia de São Paulo acredita que o roubo ocorrido na quinta-feira, 12, de quatro obras de arte do acervo da Fundação José e Paulina Nemirovsky, expostas na Estação Pinacoteca, na Luz, tenha sido encomendado. O delegado Youssef Abou Chahin, diretor do Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic), afirmou que os criminosos sabiam nominalmente que obras levariam. A polícia avisou o Centro de Operações da Polícia Civil (Cepol) e os aeroportos e portos sobre o crime, com a finalidade de fechar o cerco contra os bandidos.   "Ao lado das telas que eles levaram havia obras mais caras", disse Chahin. "Não sabemos se as obras irão ficar no Brasil". A funcionária Wenna Moura disse que os criminosos perguntaram nominalmente pelas obras. Nesta sexta-feira, 13, as imagens de um segundo vídeo deverão ser divulgadas. As fitas mostram os criminosos desparafusando os quadros. Os funcionários da fundação que foram rendidos devem ajudar na identificação dos criminosos, segundo informações policiais.   As imagens do trio foram gravadas pelo circuito interno do museu e analisadas pela Polícia Civil na quinta-feira. Dois retratos falados dos suspeitos foram divulgados. Um deles é mulato, e tem 1,70 m e aparenta 25 anos. O outro é negro, de 1,60 m. As mesmas pessoas tinham sido filmadas na semana passada observando as obras da Estação Pinacoteca , antigo prédio do Departamento de Ordem Polícia e Social (Dops), órgão da Ditadura Militar. O local fica a poucos quarteirões do Quartel General da PM, do Palácio da Polícia Civil e da base da Rota. As fitas entregues à polícia mostram dois assaltantes caminhando com as telas em duas sacolas brancas de pano. O crime aconteceu seis meses após o furto de dois quadros no Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. Chahin contou que os ladrões, um deles armado com uma pistola, subiram de elevador direto para o segundo andar. Lá, renderam três funcionários - dois eram vigias desarmados. Em seguida, fizeram uma atendente deitar no chão e a ameaçaram com a arma. Enquanto um criminoso ficou com a atendente e os vigias, os outros desparafusaram as obras da parede com chaves de fenda. Não havia visitantes na sala. Informações e denúncias sobre o paradeiro dos quadros podem ser comunicados à polícia pelo disque denúncia 181 ou pelo telefone 11 2221 3358. 

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