Após reunião no TRT, policiais civis suspendem a greve em SP

Em algumas regiões, eram feitos apenas serviços essenciais, mas em grande parte, população não foi prejudicada

Elvis Pereira, estadao.com.br

13 de agosto de 2008 | 17h53

A Polícia Civil suspendeu a paralisação iniciada nesta quarta-feira, 13. Representantes da corporação aceitaram a proposta apresentada, à tarde, pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região. Na audiência de conciliação ficou acertado, no entanto, que a categoria permanecerá em estado de greve. Definiu-se também que o governo não tomará atitudes de retaliação contra o movimento.   Na próxima quarta, 20, uma comissão composta por representantes de associações policiais, sindicatos e governo se reunirá no TRT para deliberar sobre a melhoria dos salários, tendo em conta a atual estrutura de cargos. O encontro será mediado por um representante da Assessoria Econômico-Social do TRT e terá a participação do Ministério Público do Trabalho.   O presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, José Martins Leal, afirmou que a categoria manterá as mesmas reivindicações que vêm sendo apresentadas. "A proposta é a mesma. Nós precisamos de melhoria salarial urgentemente", afirmou. O sindicato não soube informar a adesão de policiais à greve.   A Secretaria de Segurança Pública informou que nenhuma delegacia deixou de funcionar por causa da greve, mas que, eventualmente, algum policial pode ter deixado de ir trabalhar nesta quarta-feira e que pode ter havido problemas em alguns locais.   Em visita aos municípios de Pindamonhangaba e Taubaté, no interior do Estado, o governador José Serra (PSDB), criticou a greve. Ele desmentiu a informação de um diretor sindical, Álvaro Guerra, de que há doze anos não são concedidos aumentos à categoria. "Entre 1998 e 2008 os gastos com pessoal duplicaram e o volume de pessoal aumentou entre 12 a 13%. Então teve aumento sim", disse.   A direção da Associação dos Delegados do Estado de São Paulo (Adesp) esperava a adesão de pelo menos 70% dos cerca de 3,2 mil delegados do Estado. "A adesão é parcial e pequena, sem prejuízo", avaliou o governador. Os policiais civis querem reestruturação da corporação, valorização das carreiras e reajuste salarial. Segundo eles, a defasagem chega a 200%.   O governador disse que nunca se recusou a dialogar com representantes da polícia civil. José Serra advertiu, entretanto, que gostaria muito de conceder a reivindicação da categoria, mas que a proposta implica na duplicação da folha de pagamento com a segurança pública, tornando inviável. "Passaríamos a gastar dos atuais R$ 7 bilhões para R$ 15 bilhões e não há dinheiro para isso", disse, acrescentando que irá fazer "o possível" para o sucesso das negociações.   Interior   Policiais civis de quatro unidades policiais de Votorantim, na região de Sorocaba, aderiram à greve decretada pela categoria. De acordo com o delegado Paulo César Martins Neves, do 3.º Distrito Policial, apenas os casos considerados urgentes seriam atendidos. Na prática, no entanto, a paralisação não afetou o registro das ocorrências. É que os casos considerados corriqueiros não chegaram às unidades policiais.   "Normalmente registramos 80 ocorrências desse tipo por dia, mas hoje os casos não estão vindo para cá", justificou o delegado, que é também diretor do sindicato que reúne integrantes da Polícia Civil na região. A greve teve a adesão de três distritos policiais, da Delegacia da Mulher, da Delegacia de Trânsito (Ciretran) e da Cadeia Feminina. O delegado disse que foi um movimento "consciente", pois todos os funcionários compareceram aos postos de trabalho.    O delegado titular do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter 7), Weldon Carlos da Costa, disse que os trabalhos foram normais nos 79 municípios sob sua jurisdição. "A ordem foi para que todos os serviços fossem mantidos", afirmou. "Se chegar ao meu conhecimento que um único caso deixou de ser atendido, vou mandar apurar."   Investigação na rua, nada, mas registros de boletins de ocorrência, especialmente os simples, como de perdas documentos, foram registrados em delegacias de Ribeirão Preto. Em Araraquara e São Carlos as delegacias também estavam calmas, sem atividades.   A presidente do Sindicato dos Policiais Civis da Região de Ribeirão Preto, Maria Alzira da Silva Corrêa, falava em 100% de paralisação, em 92 municípios, antes de participar da audiência no TRT. Segundo ela, só os casos de emergência estavam sendo registrados e atendidos nas delegacias e distritos policiais, mas que todos os funcionários permaneciam nos locais de trabalho.   Litoral   Na Baixada Santista, o Sindicato dos Funcionários da Polícia Civil do Estado de São Paulo (Sinpolsan) divulgou que entre 60% e 70% dos policiais aderiram à greve, informação que foi rebatida pelo Chefe do Deinter 6, Waldomiro Bueno Filho. "A nossa orientação é que não houvesse paralisação porque o público não pode ser prejudicado e todos os policiais estão trabalhando integralmente".   Segundo Bueno Filho, as cidades de Registro e Jacupiranga, no Vale do Ribeira, e Itanhaém, no litoral Sul, tiveram "100% de trabalho". "Existe sem dúvida aqueles que querem ver o circo pegar fogo, mas não recebi nenhuma reclamação até agora", explicou o delegado.   Já o Presidente do Sinpolsan, Décio Couto Clemente, comemorou a participação da categoria no movimento. "A adesão foi muito grande, em algumas cidades, como Praia Grande, foi total", disse lembrando que os diretores do sindicato distribuíram a "cartilha de greve" nas delegacias. A publicação traz orientações como a obrigatoriedade de 30% do efetivo trabalhar e sobre quais serviços deveriam funcionar e serem paralisados.   A reportagem apurou que em Praia Grande apenas os serviços essenciais funcionaram. Já na cidade de Santos, alguns Distritos Policiais trabalharam integralmente e outros não. A delegacia sede do Guarujá apenas registrou os flagrantes.     (Com Ítalo Reis, do estadao.com.br, Hélcio Consolino, José Maria Tomazela, Rejane Lima e Brás Henrique, de O Estado de S.Paulo)   Atualizado às 19h20

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