Após restauro, Palácio Guanabara será reaberto hoje

Prédio de 1853 já foi a casa da princesa Isabel e do presidente Vargas; agora, volta a ser sede do governo do Rio e ponto turístico

PEDRO DANTAS / RIO, O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2011 | 03h05

Após a mais completa reforma de sua história, o Palácio Guanabara será reinaugurado hoje com festa na sede do governo do Rio, em Laranjeiras, na zona sul.

Construído em 1853 para servir de residência para um comerciante português, o Palácio Guanabara foi usado pelo governo imperial, residência presidencial na República Velha e sede do governo do então Distrito Federal. Na época do Império, foi renomeado como Paço Isabel, para abrigar a filha de d. Pedro II e seu marido, o Conde d'Eu. Em 1889, o prédio ganhou seu nome definitivo, depois de ser incorporado à União. O prédio já foi residência dos presidentes Hermes da Fonseca, Washington Luiz e Getúlio Vargas.

Foram várias intervenções desde a recuperação do piso original de pedra do estilo "pé de moleque", de 1865. Também foram restaurados azulejos portugueses de 1908 e quadros históricos, como A morte de Estácio de Sá, de Antônio Parreiras, e A Abdicação de Dom Pedro I, de Aurélio Figueiredo.

Turistas e cariocas passaram a admirar a mesma fachada (antes branca e bege) em tom "ocre" que os pedestres viam em 1908. Os visitantes poderão passear pelo jardim projetado pelo paisagista francês Paulo Villon, ornado com a Fonte de Netuno, criada por Gabriel Dubray. A estátua foi o grande desafio dos restauradores, que executaram uma réplica em bronze, pois a escultura original estava muito deteriorada para ser recuperada.

Todos os aparelhos de ar-condicionado foram retirados e substituídos por um sistema de refrigeração central. O palácio passa a atender a legislação estadual, que determina a adaptação dos prédios públicos para receber pessoas com necessidades especiais, com banheiros adequados e elevador.

Em seu gabinete de 90m², com vista para o jardim, o governador continuará despachando na mesa que pertenceu a Vargas, adornada com o brasão da República. O palácio ganhou uma sala VIP, apontada com a maior atração da restauração, pois lá está o piso "pé de moleque" - ele ganhou iluminação especial e proteção de vidro.

Segundo o engenheiro Eduardo Maselli Valdetaro, o conceito da obra foi baseado na ideia de modernizar sem agredir o bem tombado. "De todas as reformas, essa foi a maior intervenção do palácio."

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