Após render vigias, grupo invade Royal de novo e leva roedores

Instituto havia anunciado fim das atividades há uma semana, depois da primeira invasão, quando foram levados 178 cães

José Maria Tomazela / SOROCABA, O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2013 | 02h04

Uma semana depois de anunciar o encerramento de suas atividades, o Instituto Royal, de São Roque, que utilizava cães da raça beagle para testes de medicamentos, voltou a ser invadido e depredado por ativistas na madrugada de ontem.

Os invasores renderam os vigias e promoveram um novo quebra-quebra nas instalações. A maior parte dos equipamentos que permaneciam no local foi destruída e quase todos os roedores - cerca de 300 ratos e camundongos - que ainda estavam lá foram levados. Os animais foram colocados em sacos plásticos comuns.

Esses animais não haviam sido retirados quando o instituto foi invadido e depredado pela primeira vez, no dia 18 de outubro - na ocasião, os ativistas levaram 178 cães da raça beagle e sete coelhos.

De acordo com boletim de ocorrência, o grupo que invadiu o instituto era de 40 a 50 pessoas, entre homens e mulheres. Muitos estavam encapuzados ou mascarados e alguns portavam facas e alicates.

Três funcionários da empresa de segurança Gocil foram vítimas de agressão, além de ameaças, e passaram por exame de corpo de delito. Além de veículos do instituto, o automóvel de um dos seguranças foi danificado pelos ativistas.

Os invasores picharam as iniciais da inscrição Animal Liberation Front, grupo extremista de libertação animal, nas paredes do prédio.

De acordo com o instituto, a direção vinha mantendo contato com o Conselho Nacional de Experimentação Animal (Concea) para dar destinação correta aos roedores.

"Lamentamos que os ativistas recorram novamente à baderna. Lamentamos que a onda de violência física e moral contra os animais e os profissionais que prestam serviço ao instituto, iniciada com a invasão do dia 18 e apoiada sistematicamente por políticos e celebridades, ainda persista, mesmo com o encerramento das atividades do Royal", informou o instituto em nota.

Luiza Mell. A Polícia Civil vai usar imagens do circuito interno de segurança na tentativa de identificar os invasores. Ainda não se sabe se o grupo é o mesmo que invadiu o local no dia 18. Dos 178 cães levados na ocasião, apenas quatro foram recuperados. A ativista Luiza Mell, que participou da primeira invasão, disse que desconhecia a nova ação e pôs em dúvida a versão do instituto.

O furto dos animais é investigado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Sorocaba. Já o Ministério Público Estadual investiga denúncias de maus-tratos contra os animais pelo Instituto.

No último dia 6, a direção do Royal divulgou nota anunciando o encerramento das atividades por causa das "elevadas e irreparáveis perdas" e "o risco permanente à integridade física e moral de nossos colaboradores".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.