Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Após reintegração, moradores de prédio acampam no centro de São Paulo

Famílias armaram barracos de madeira na Avenida São João após ação da PM com decisão da Justiça

Artur Rodrigues, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2012 | 23h29

SÃO PAULO - Cerca de 230 famílias de sem-teto foram obrigadas a sair de um prédio na esquina das Avenidas Ipiranga e São João, no centro de São Paulo, após uma operação de reintegração de posse, na manhã desta quinta-feira. Após deixarem o local da ocupação, liderada pela Frente de Luta por Moradia (FLM), as pessoas armaram barracos de madeira a cem metros do prédio, na Avenida São João.

Por volta das 7h30, o major da PM Marcos Antônio Felix entrou no prédio para iniciar o cumprimento da ordem. "Estamos identificando a melhor forma para não causar impacto e prejuízo maior para essas famílias", disse.

Uma das coordenadoras do evento fez um discurso afirmando que a saída seria pacífica e criticou a Justiça, que concedeu reintegração de posse em favor da empresa Afim Brasil Eventos e Promoções. "Nossa resistência não é contra o policial, que é trabalhador, mas contra os criminosos que estão no poder", afirmou Carmen Silva.

Mudança. As famílias começaram a abandonar o prédio às 8h. Enquanto alguns faziam discursos contra a Justiça e a Prefeitura, outros pegavam pedaços de madeira para a construção dos barracos na São João.

Guardas-civis disseram que os barracos não poderiam ficar no local, mas ninguém havia sido retirado da área até a noite de ontem. Ao todo, são oito barracos sobre a calçada, perto da Galeria Olido. "Vamos ficar aqui, os que não couberem ficam do lado de fora. Não temos para onde ir", disse Carmen.

Quatro caminhões foram oferecidos pela Afim Brasil Eventos e Promoções para que os pertences das famílias fossem retirados. Durante a madrugada de ontem, porém, a maioria dos objetos de valor já havia sido transportada para outros prédios ocupados pela FLM. O imóvel da São João é apenas uma das oito ocupações mantidas pela organização no centro, onde vivem cerca de 1,2 mil famílias.

O prédio, no número 628, havia sido ocupado em 6 de novembro. É um imóvel de três andares, no qual funcionava um bingo. O local tem estruturas abaladas, muitas fiações improvisadas e goteiras.

Rotina. Desde as 22h de anteontem, o Estado acompanhou os preparativos da saída. Responsável pela segurança do local, Gilvan Souza da Silva, de 26 anos, já está acostumado a mudanças. "Nos últimos três anos, passei por oito reintegrações." Já a manicure Carliane Mendes da Costa, de 25, veio de São Luís (MA) em busca de emprego e só foi atrás do movimento porque o aluguel era caro demais. "Engravidei e vim atrás de uma moradia. Já passei por três desocupações", diz.

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