Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Após reforma, Estrada Velha de Campinas vira rota de fuga de pedágios

Via permaneceu abandonada por mais de 30 anos e está agora repaginada após obras de recapeamento, sinalização, iluminação e acostamento

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2011 | 03h03

Construída por presidiários entre 1920 e 1924, a Rodovia Tancredo Neves (SP-332), conhecida como Estrada Velha de Campinas, se tornou a principal rota de fuga dos pedágios das Rodovias Anhanguera e Bandeirantes. A via, que ficou abandonada por mais de 30 anos e era usada praticamente só por caminhões até agosto, está repaginada após reforma de R$ 118,5 milhões.

A estrada recebeu recapeamento novo, terceira faixa, sinalização, iluminação e acostamento. Até radares já foram instalados no trecho entre a capital paulista e Jundiaí, o mais usado por quem quer escapar do pedágio de R$ 6,90 da Bandeirantes. Quase ninguém, no entanto, usa o trajeto todo entre São Paulo e Campinas. A opção de fuga vale a pena mesmo nos trajetos mais regionais - para quem, por exemplo, mora em Caieiras ou Franco da Rocha e precisa ir à cidade de São Paulo ou para quem circula entre Campinas e Jundiaí.

Em São Paulo a estrada começa em Pirituba, na zona norte, no fim da Avenida Raimundo Pereira de Magalhães. Paulo Ricardo de Souza, administrador de empresas de 36 anos, mora no bairro paulistano e trabalha em Jundiaí. Ele passou a usar a pista há dois meses, após a conclusão da reforma. "Economizo R$ 276 por mês com o pedágio de ida e volta e gasto uns R$ 80 a mais de gasolina. Vale a pena. A estrada era um matagal escuro, agora virou coisa de primeiro mundo", argumentou.

Reforma. Quem passou pela estrada antes da reforma logo percebe que tudo é novo. Até junho de 2008, quando o então governador José Serra (PSDB) anunciou a reforma, a Estrada Velha de Campinas não contava com acostamento, o mato alto cercava a pista e não havia iluminação. Caminhoneiros reclamavam dos constantes assaltos e da falta de sinalização. Veículos comuns eram raros na rodovia.

"Antes os pedestres ficavam no meio da pista, era grande o risco de se atropelar alguém. Agora a estrada virou uma rodovia de verdade, tem acostamento, radar. Eu vou para São Paulo pelo menos três vezes por semana. Se não estou perdendo hora, vou sempre pela Estrada Velha", diz o comerciante Raul Jesus de Oliveira, de 45 anos, morador de Caieiras.

A estrada também foi reformada entre Jundiaí em Campinas. Em 2009 as obras chegaram a ser paralisadas nesse trecho por denúncias de problemas ambientais, mas o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e o Ministério Público fizeram um acordo para reduzir os danos.

Para quem mora em cidades como Valinhos, Louveira ou Vinhedo e circula no trajeto entre Campinas e Jundiaí, a estrada também é excelente opção de fuga dos pedágios da Bandeirantes e da Anhanguera. "Dou aula à noite em Jundiaí e não tinha coragem de pegar a estrada velha quando ela não tinha iluminação. Agora economizo R$ 13,80 por dia", conta a professora universitária Juliana Sereno, de 32 anos, moradora em Valinhos.

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