Após prisão de Maroni, polícia investiga suspeita de propina

Supostos pagamentos constariam de agendas e estariam disfarçados por códigos como ração

Andressa Zanandrea e Marcelo Godoy, Estadão

15 de agosto de 2007 | 09h19

A polícia fechou o cerco sobre o empresário Oscar Maroni Filho, de 56 anos, atrás de indícios de pagamento de propina e favorecimento e exploração de prostituição. Preso na madrugada de terça-feira, 14, no flat Quality Suítes Long Stay, na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo, Maroni está em uma cela especial no 13º DP, reservada para quem tem curso superior.  Isso porque o dono da boate Bahamas e do Oscar's Hotel, ambos em Moema, na zona sul, é formado em psicologia. "Nós verificamos e o diploma dele é quente", disse o delegado Aldo Galiano Junior, chefe da Polícia Polícia Judiciária da Capital (Decap). Com dois mandados de busca em mão, policiais apreenderam seis computadores e documentos como books com fotos de mulheres e registros de valores de alugueis de quartos no escritório de Maroni, na Avenida Carinás, em Moema. "Esses documentos podem servir de comprovação da exploração da prostituição", afirmou o delegado Luis Augusto Castilho Storni, chefe da Unidade de Inteligência do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (UI-Decap). As buscas foram pedidas pelo promotor José Carlos Blat, que buscavam indícios de supostos pagamentos de propina a autoridades.  Os pagamentos constariam de agendas e estariam disfarçado por códigos como ração. A apreensão do material ocorreu horas depois da prisão de Maroni. Ele teve a prisão decretada pela Justiça porque é acusado de favorecer e explorar a prostituição, formar quadrilha e traficar mulheres. Era pouco depois da meia-noite quando os policiais da UI-Decap chegaram ao flat. A polícia pediu que funcionários da recepção entrassem em contato com o empresário. Uma parte apanhou o elevador e outra subiu pela escada de incêndio. Enquanto esperavam a resposta do empresário, os policiais surpreenderam Maroni descalço e de pijama quando ele tentava escapar pela escada de incêndio. Doze homens participaram da operação do Decap.  Algemado, Maroni foi colocado no compartimento de presos de uma viatura do Decap. Ele disse aos policiais se sentia injustiçado. Do hotel, foi levado ao 96º Distrito Policial (Brooklin) e, de lá, ao 13º DP, na Casa Verde, na zona norte. Desta vez, não deu entrevista. "Analisem os fatos e tirem as conclusões de vocês", afirmou Maroni. O empresário entrou com pedido de habeas-corpus no Superior Tribunal de Justiça. O advogado José Thales Sólon de Mello, que defende o empresário, disse que seu cliente "está tranqüilo e aguarda o pronunciamento do STJ". Maroni teve o hotel, a 600 metros da cabeceira do Aeroporto de Congonhas, fechado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) após o acidente com o Airbus da TAM, ocorrido em 17 de julho. Menos de 24 horas após a prisão de Maroni, o site do Grupo OW, presidido por ele, publicou um vídeo e uma carta nos quais o empresário critica o prefeito pela interdição do Oscar's Hotel. Para ele, Kassab usou o fato para promoção política. O comunicado, de 5 minutos e 40 segundos, teria sido gravado no domingo. No site (http://www.ow.com.br/ow/), uma nota afirmava ainda que o empresário nunca se escondeu ou fugiu após ter a sua prisão preventiva decretada pela 5ª Vara Criminal de São Paulo.

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