Após polêmica, polícia diz que vai liberar vinagre

Autoridades afirmam que ninguém será detido por causa do porte de líquido que amenizaria os efeitos do gás lacrimogêneo

Artur Rodrigues, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2013 | 02h00

Símbolo do movimento contra o aumento da tarifa, o vinagre está liberado na manifestação de hoje. Após a Polícia Militar levar dezenas de pessoas para delegacias apenas por portar o líquido que ameniza o efeito do gás lacrimogêneo, o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, garantiu que o procedimento não se repetirá.

Ele atribui a conduta dos PMs, que levaram detido até um jornalista da revista Carta Capital, ao desconhecimento. "Eu acho que o que acontece é que o policial se depara com o líquido e não sabe o que acontece", justificou.

A atitude virou piada na internet, com a criação de páginas como a "V de Vinagre", uma referência ao quadrinho que virou o filme V de Vingança.

Relação. Nos bastidores, tucanos acusam Grella de não ter bom relacionamento com a PM desde que proibiu que os policiais socorressem pessoas baleadas - medida tomada neste ano para evitar que grupos de extermínio maquiassem assassinatos na periferia. Ontem, Grella negou os rumores. "Eu tenho uma excelente relação com o comandante-geral. Não tenho dificuldade nenhuma em definir o conjunto de estratégias", afirmou o secretário.

O comandante-geral da PM, Benedito Roberto Meira, mostrou ontem um discurso afinado com o do secretário, repetindo que esperava uma manifestação "ordeira" e "pacífica". Para ajudar a apagar o incêndio político gerado pelas manifestações, ele deixou de viajar de férias com a família para a Itália, na sexta-feira.

Meira afirma que há policiais à paisana no evento "não para bisbilhotar", mas para verificar a ação da própria PM. Segundo ele, os policiais que retirarem o sutache (a identificação do policial na farda), uma tática para não serem denunciados pelos manifestantes, devem ser punidos pela corporação.

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