Epitacio Pessoa/Estadão
Epitacio Pessoa/Estadão

Após PM interromper baile funk, supermercado é depredado em SP

Moradores prometem protesto às 18h30 contra os bailes funks que acontecem frequentemente na região

Laura Maia de Castro, O Estado de S. Paulo

20 de janeiro de 2014 | 14h43

Atualizada às 16h53

SÃO PAULO - Após um baile funk ter sido interrompido pela Polícia Militar, cerca de mil pessoas depredaram o supermercado Extra na noite de domingo, 19, na Avenida Governador Carvalho Pinto, na Penha, zona leste da cidade. Além do Extra, um grupo menor também realizou saques na loja de conveniência de um posto de gasolina próximo ao local. Ninguém foi preso e não há registro de feridos.

"Foi horrível, os clientes gritavam pedindo socorro, as crianças choravam. Tinha até cadeira de rodas caída no chão, enquanto familiares carregaram os cadeirantes no colo", disse um funcionário do Extra que preferiu não se identificar.

Segundo a PM, o grupo de cerca de 2 mil pessoas realizava um baile funk nas imediações da avenida interditando a rua de forma ilegal e "impedindo o sossego público". Por volta das 21h, acionada por moradores, a PM foi ao local e dispersou a multidão com gás lacrimogêneo.

Parte do grupo interditou a Avenida São Miguel com lixo e ateou fogo. Outra parte depredou a unidade do supermercado. Depois do Extra, cerca de 50 pessoas ainda seguiram para a loja de conveniência do posto BR do outro lado da rua.

Segundo Secretario de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella não houve proibição do baile funk. "Na verdade não é isso. A informação que nós temos, os dados que nós temos, os relatórios, é de que a polícia fez a intervenção em razão dos saques, dos atos de depredação. A polícia acompanha esses movimentos.

As imagens de circuito interno do posto mostram a violência utilizada pelos jovens que chegaram a agredir frentistas e tentaram atear fogo no estabelecimento. A porta de vidro da loja de conveniência foi estourada e o grupo, muitos sem cobrir os rostos, saqueou bebidas, óculos, cigarros, alem de roubarem o caixa. Toda a ação durou por volta de 15 minutos.

O proprietário do posto, Ricardo Demoliam, contabiliza um prejuízo de cerca de R$ 10 mil e não sabe se o seguro irá ressarcir. "A minha sensação é de impunidade", disse.

Uma funcionária que estava no momento da invasão da loja e preferiu não se identificar disse que viveu momentos de pânico. "Meu filho e minhas sobrinhas, todos entre 10 e 12 anos, tinham vindo me buscar. Faltavam só 10 minutos para a loja fechar. Nos trancamos no estoque, foi tudo muito rápido." Ela conta ainda que, quando o marido chegou, ainda havia jovens dentro da loja e que ele conseguiu expulsá-los mesmo com uma criança de colo.

Recorrência. Não é de hoje que moradores da região reclamam do baile funk que acontece em uma pequena praça na Rua Paulo Marques, na Penha. Eles contam que ja fizeram ao menos quatro boletins de ocorrência e que os participantes disputam o som dos mais de dez carros, fazem os muros das casas de banheiro e usam drogas.

"Eles vêm se divertir, à procura de lazer e a gente tem que ficar trancado dentro de casa, com medo", disse uma moradora que não quer se identificar com medo de represália. "Ontem (domingo), eram mais de 3 mil pessoas. A gente não consegue nem sair. Meus filhos e parentes não vêm mais me visitar no fim de semana. Fico completamente isolada", disse outra moradora.

Revoltados, os moradores do entorno da praça, onde acontece o baile funk todos os domingos, prometem fazer um panelaço contra os bailes funk e fechar Avenida Governador Carvalho Pinto ao menos por alguns minutos.

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