Robson Fernandjes/AE
Robson Fernandjes/AE

Após oito meses, um terço dos relógios de rua de SP não funciona

Prefeitura assinou em agosto de 2010 um contrato temporário para conserto e manutenção, mas pouco foi feito

Renan Carreira, Agência Estado

14 de abril de 2011 | 17h28

SÃO PAULO - Hora errada e temperatura de Polo Norte ou do deserto do Saara. Quem circula pelas avenidas de São Paulo continua a se deparar com muitos relógios de rua com funcionamento inadequado ou simplesmente o esqueleto do que foi um dia um serviço de utilidade pública.

 

Oito meses após a Prefeitura de São Paulo ter assinado um contrato temporário para conserto e manutenção, cerca de um terço dos mostradores de rua da cidade não funciona. São em torno de cem equipamentos que apresentam algum tipo de problema - por exemplo, informam horário e temperatura incoerentes - ou estão desligados e sucateados. A Prefeitura e a empresa vencedora da licitação repetem justificativas e prometem solucionar o problema. Mas a solução definitiva passa pela aprovação de um projeto de lei na Câmara de Vereadores, que não tem consenso e sem prioridade para votação.

 

O contrato entre a Prefeitura e a empresa Buldogue Mídia Exterior foi assinado em agosto de 2010, com duração de um ano e no valor de R$ 1,043 milhão. No entanto, esse valor só seria pago se os 314 relógios de rua estivessem em funcionamento durante os 12 meses de vigência do contrato. Do contrário, a Prefeitura pagaria, por mês, em torno de R$ 270 para cada relógio que estivesse funcionando perfeitamente - que é o que ocorre hoje.

 

O diretor da empresa, Fabricio Guimarães, afirma que só existem 296 relógios. "Da relação inicial (de 314 relógios passada pela Prefeitura), 14 estavam faltando. Os demais sofreram acidentes e tiveram de ser removidos." Além disso, ele alega que 70 relógios não estão ligados por falta de rede elétrica.

 

Segundo Guimarães, a Prefeitura não tinha conhecimento real da situação dos equipamentos e fez estimativas equivocadas. "Dizia que 20% dos relógios seriam trocados e 10% teriam problemas parciais, como quebra do sensor de temperatura ou quebra da palheta indicativa da hora. Esses números estavam completamente errados. Os números são muito maiores."

 

Falta de consenso. A questão sobre os relógios de rua só terá uma solução mais duradoura quando a Câmara aprovar o projeto de lei, enviado pelo Executivo, que passa para a iniciativa privada, por até 30 anos, a administração dos equipamentos e dos abrigos em pontos de ônibus da cidade, com exploração publicitária.

 

De acordo com a proposta, "poderão ser instalados até 1.000 relógios" e "até 16.000 abrigos (de parada de transporte público), por toda a área do município". Porém, não há consenso sobre esse assunto na Casa.

 

O presidente da Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente, vereador Paulo Frange (PTB), disse que não há discussão que seja contrária ao mérito da aprovação do projeto. "A discussão é quanto a forma." Segundo ele, é preciso que o projeto seja mais específico em alguns pontos.

 

O líder do governo na Câmara, vereador Roberto Tripoli (PV), afirmou que hoje não é prioritário votar esse projeto. Segundo ele, por tratar-se de uma verba milionária de publicidade, há muitos interesses em jogo e a questão precisa ser melhor discutida.

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