Após ocupar Secretaria Municipal do Verde, sem-teto protestam na casa de Haddad

Grupos de moradores da zona sul cobram moradia na região e a divulgação das listas de espera para programas de habitação

Artur Rodrigues,

24 de setembro de 2013 | 20h40

 Um grupo de cerca de 200 sem-teto ocupou nesta terça-feira (24) um prédio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, na Rua do Paraíso, zona sul da capital. À noite, o grupo desocupou o imóvel e foi protestar na frente da casa do prefeito Fernando Haddad (PT), no Paraíso, na zona sul. 

Um pedido de reintegração de posse feito pela Prefeitura e executado no dia 16 na ocupação Jardim União, onde moravam 300 famílias, motivou a ocupação. O prédio foi ocupado por manifestantes que fazem parte das ocupações Jardim da União, Recanto da Vitória e Jardim da Luta. Os sem-teto cobravam da administração municipal a apresentação dosprojetos habitacionais para a região do extremo sul e a divulgação das listas de espera de programas de moradia. 

Nos últimos meses, mais de 20 ocupações foram feitas na zona sul. “Na região do Grajaú, houve uma onda de despejos por causa dos mananciais e não foi construída nenhuma moradia”, disse um dos militantes, Gustavo Moura, 30 anos, da Rede de Comunidades do Extremo Sul. Ele afirma que a prática da Prefeitura de distribuir bolsa aluguel aumentou o preço dos aluguéis, dificultando que a população encontre moradia na região. 

Nesta semana, a Rede de Comunidades do Extremo Sul divulgou um manifesto assinado por intelectuais criticando o prefeito Fernando Haddad (PT) e a Polícia Militar. “A intransigência e a truculência da atual gestão municipal chegou a um ponto extremo no dia 16 de setembro, quando, sem qualquer aviso prévio e sem ordem judicial, o prefeito Fernando Haddad e a Subprefeita da Capela do Socorro, Cleide Pandolfi, mobilizaram a Tropa de Choque da Polícia Militar, bem como efetivos da Guarda Civil Metropolitana e da Guarda Ambiental para despejar violentamente os moradores do Jardim da União”, afirma o manifesto. 

Os movimentos acusam a PM de roubar objetos durante a reintegração de posse. “Móveis, geladeiras, fogões e diversos outros pertences dessas famílias foram destruídos e extraviados, celulares e câmeras filmadoras foram roubados, pessoas foram detidas”, afirma o comunicado. 

A Prefeitura afirma que a área em questão, de 1 milhão de quilômetros quadrados, teve um decreto de utilidade pública para a criação do Parque Ribeirão dos Cocaia. “A Secretaria de Habitação (Sehab) solicitou a transferência da Secretaria do Verde para a própria Sehab de parte da área - cerca de 191 mil m2 - que vai permitir a construção de aproximadamente 5 mil novas unidades habitacionais”, afirma nota da administração municipal. 

A PM afirma ter agido “a pedido do poder público municipal”. “Algumas pessoas começaram a atirar pedras contra os policiais militares, sendo necessário o uso de munições químicas para dispersar os agressores”, afirma a corporação,

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