Gabriela Biló / Estadão
Gabriela Biló / Estadão

Após nova ação policial, Alckmin e Doria dizem que fluxo não voltará à Cracolândia

Para ambos, a dispersão vai facilitar a abordagem dos dependentes químicos pelos agentes sociais e dificultar a ação de traficantes que abastecem o fluxo; dependentes que estavam na Praça Princesa Isabel, porém, se refugiaram em rua do antigo quadrilátero

Fabio Leite e Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2017 | 10h00

SÃO PAULO - O governador Geraldo Alckmin e o prefeito João Doria, ambos do PSDB, aprovaram a ação policial que retirou os usuários de drogas da Praça Princesa Isabel na manhã deste domingo, 11, no centro de São Paulo, e afirmaram que os dependentes não vão ficar no quadrilátero da antiga Cracolândia, onde o maior grupo se refugiou após a dispersão do fluxo pela polícia.

“(A Cracolândia) Não vai voltar para a (Rua) Helvétia, não vai voltar”, afirmou Alckmin em coletiva de imprensa dentro do prédio de acolhimento do Programa Recomeço, do Estado, logo após passar de carro em meio aos viciados que estão agora na Rua Helvétia. “Não há a menor hipótese de a Rua Helvétia, a Dino Bueno voltarem a ter o status que já tiveram no passado. Essa hipótese é zero, seja pela ação do Estado, seja pela ação do município”, completou Doria.

Tanto Alckmin quanto Doria enalteceram a operação da Polícia Militar, que prendeu dois traficantes e um dependente por agressão e retirou o acampamento de viciados da Praça Princesa Isabel, novo endereço da Cracolândia desde a primeira operação policial na região, há exatas três semanas. Para ambos, a dispersão vai facilitar a abordagem dos dependentes químicos pelos agentes sociais e dificultar a ação de traficantes que abastecem o fluxo.

“Esse é um trabalho permanente, não vai resolver do dia para noite. Por que não haver concentração? Porque quando tem concentração você facilita a vida do traficante, atrai pessoas e dificulta a abordagem”, afirmou Alckmin, que não descarta novas ações da polícia para evitar novos acampamentos de viciados na região. “Não tem uma data fatal, dizer que acabou.”

O prefeito tinha antecipado no sábado que a ação policial iria continuar depois que foi constatado que os traficantes voltaram a atuar na região vendendo, além de crack, também heroína, cocaína e ecstasy.

Na mesma linha, Doria disse que, além da limpeza da praça, que estava tomada por lixo, o trabalho da Prefeitura será atrair os dependentes para os pontos de acolhimento e tratamento. “A abstinência, por força de uma ação contínua da Polícia, facilita a abordagem e o convencimento dos usuários para o tratamento. É exatamente isso que nós vamos seguir fazendo de forma perseverante nessa região”, afirmou o prefeito. 

Em seguida, Alckmin e Doria foram vistoriar o alojamento de contêineres criado para atender até 150 dependentes por dia, a 750 metros de onde ficava o fluxo de drogas até a manhã deste domingo.

 

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