Após ‘namoro perfeito’, mulher se tornou alvo de ataques

Bancária só denunciou agressor quando os vizinhos chamaram a Polícia Militar: ‘Só aí percebi que era vítima'

Alexandre Hisayasu, O Estado de S.Paulo

24 Abril 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Foram dez meses de um ‘namoro perfeito’, decisivos para a bancária Cecília (nome fictício), de 30 anos, decidir casar-se com o então namorado. Eles compraram um apartamento e tiveram um filho, que hoje está com 1 ano e 8 meses.

No entanto, a convivência mostrou a Cecília um marido violento. “Em uma discussão, ele me deu um tapa no rosto. Foi a primeira vez e não parou mais”, lembra.

Os motivos para as brigas cada vez mais violentas, segundo ela, eram quase sempre ciúmes. Do tapa, ele passou a dar chutes e depois socos.

“Depois das brigas, ele se acalmava e pedia perdão. Chegava a implorar. Mas sempre colocava a culpa em mim: ‘Olha, eu te chutei porque você gritou comigo; eu dei um soco na sua barriga porque você me xingou antes’. No fim, eu sempre achava que era culpada pelas nossas brigas e ficava buscando respostas, erros que eu poderia ter cometido e não cometeria mais”, relembra Cecília.

A bancária diz que a situação dela mudou no dia 13 de outubro de 2015, quando apanhou dormindo. “Naquele dia, ele me proibiu de ir a uma confraternização da empresa. Mas eu fui. Quando cheguei em casa, ele não estava e eu fui dormir. Quando chegou, começou a me dar socos na cabeça”, contou.

Segundo ela, o marido pegou o filho no colo com uma mão, segurou uma faca na outra e partiu para cima dela. Os gritos chamaram a atenção dos vizinhos, que acionaram a Polícia Militar.

Vítima. Na delegacia, Cecília confirmou a queixa contra o marido, que foi enquadrado na Lei Maria da Penha e está respondendo a processo. “Ali, percebi que não era culpada de nada. Era vítima”, afirmou.

A bancária deu entrada nos documentos para se divorciar e mora em um pequeno apartamento com o filho. “Estou cuidando dele sozinha e já chegou a faltar o leite. Não é fácil, mas eu vou superar isso”, disse Cecília, que conta com o apoio dos pais e irmãos.

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