Após mortes, Cabral culpa 'décadas de abandono' no Rio

Há 7 anos no poder, governador alegou que problemas com enchentes são históricos; número de desalojados chega a 4 mil

RIO, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2013 | 02h01

As chuvas que atingem o Estado do Rio desde a noite de terça-feira deixaram pelo menos três mortos e um desaparecido. Quatro mil pessoas estão desalojadas. Ontem, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), há sete anos no cargo, atribuiu a "décadas de abandono" as enchentes e mortes ocorridas na Baixada Fluminense, região mais atingida pela chuva.

Após reunião com secretários estaduais e dez prefeitos da Baixada, Cabral foi interpelado por um morador do município, que disse ter perdido sua casa após a enxurrada. "Governador, por que Nova Iguaçu não teve nenhuma família reassentada e nenhuma unidade habitacional construída?", perguntou Adriano Naval. "Não é verdade", respondeu Cabral, que chegara de helicóptero e não percorreu as ruas da Baixada a pé.

Em seguida, porém, o governador disse que foram investidos R$ 450 milhões no projeto de saneamento. O governador anunciou a criação do chamado Gabinete Integrado da Baixada, com representantes do Estado e das prefeituras da região.

Ontem, o corpo de Reinaldo de Souza, de 27 anos, foi resgatado de um Golf por bombeiros de Bom Jesus do Itabapoana, no noroeste fluminense. O carro que ele dirigia foi levado pela enxurrada, quando parte da RJ-230 cedeu.

Os irmãos Edson e João Pedro Jacominho, de 26 e 15 anos, também trafegavam no local e tiveram o carro arrastado. Edson conseguiu escapar do veículo, mas seu irmão foi levado pelas águas. O coordenador da Defesa Civil municipal, Alexandre Alcântara, disse que são pequenas as chances de encontrar o adolescente com vida. A principal hipótese é de que ele tenha sido lançado do carro no momento em que a estrada cedeu.

A prefeitura de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, confirmou a morte do pedreiro Martinho da Silva, de 50 anos. Ele desapareceu na madrugada de quarta-feira, no bairro Rodilândia, quando foi arrastado pela correnteza de um rio. O corpo do pedreiro foi encontrado 3 km depois, no Rio Botas, município de Belford Roxo. Também em Belford Roxo foi encontrado o corpo de Neilson Viana Ribeiro, de 18 anos, que caiu num rio que passa no Recantus, na manhã de quarta-feira.

Rescaldo. Moradores do distrito de Austin, em Nova Iguaçu, tiveram de trabalhar por conta própria, na manhã de ontem, para limpar as ruas tomadas de lama. Na falta de agentes da prefeitura, eles se revezavam para dirigir e operar uma retroescavadeira que conseguiram emprestada. No Morro do Inferninho, no bairro Nossa Senhora da Conceição, uma encosta desmoronou, oito casas desabaram e cerca de 40 foram condenadas pela Defesa Civil.

Em outro ponto da comunidade, duas pessoas atingidas por paredes que caíram em suas casas foram socorridas pelos vizinhos. O morador Leonel da Silva acordou toda a família e, com a ajuda de um irmão, conseguiu improvisar uma maca e salvar o pai, Alexandre da Costa, de 45 anos, que estava imobilizado por uma parede derrubada pela força das águas.

Na casa ao lado, Joelma Miriam, de 20 anos, recebeu a ajuda de vizinhos para salvar a mãe, Clarinda da Costa, também atingida por uma parede. "As ruas estão cedendo, não tem mais como ficar em casa. Natal e ano-novo estão chegando e não temos o que comemorar", desabafa Joelma.

Na zona norte da capital, uma casa desabou no Morro das Palmeiras, no Complexo do Alemão, na madrugada de ontem. O imóvel estava abalado desde a tarde de quarta-feira, quando um prédio vizinho de três andares veio abaixo. As famílias haviam acabado de deixar o edifício e não houve feridos. / CLARISSA THOMÉ, FELIPE WERNECK, MARCELO GOMES E THAISE CONSTANTINO

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