JB Neto/AE-17/6/2011
JB Neto/AE-17/6/2011

Após morte de estudante, crimes na USP caem 60%

PM diz que ''quebrou tabu'' e festeja chamados; em 40 dias, não houve nenhum sequestro

Luísa Alcalde / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2011 | 00h00

Quarenta dias após a morte de Felipe Ramos de Paiva, estudante da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), e com a intensificação do policiamento no câmpus da Universidade de São Paulo (USP) na zona oeste da capital, os crimes caíram cerca de 60% na Cidade Universitária, segundo estatísticas da Polícia Militar.

A referência são os 40 dias anteriores ao assassinato, em 18 de maio. De acordo com os dados da PM, os assaltos caíram de 7 para 2, os furtos de 46 para 28 (na maioria no interior das faculdades) e o roubo e furtos de carro de 21 para zero. Não foram registrados sequestros - antes, havia sido computado 1 caso.

Quebra de tabu. Além de comemorar os bons resultados, o major William Evaristo Wenceslau, subcomandante do 16.º Batalhão da PM, responsável pelo patrulhamento da USP, já fala em "quebra de tabu" sobre a histórica aversão à presença de policiais militares no câmpus. "Pelo menos de boa parte da comunidade acadêmica", ressalva.

O "termômetro" usado pelo oficial para medir essa aceitação são os chamados que os policiais têm recebido. "Anteriormente, éramos acionados para intervir depois que os delitos já haviam ocorrido. Agora, são frequentes as ligações de estudantes, professores e funcionários que, ao observar pessoas em atitudes suspeitas, nos procuram para fazermos averiguações", afirma.

Uma viatura e oito motos circulam no câmpus das 6 horas às 23h30 diariamente. Quem estuda ou trabalha na USP já se sente mais seguro com os policiais mais próximos. Os estudantes peruanos de pós-graduação em Ciência da Computação Jorge Luis Guevara Diaz, de 31 anos, e Leissi Margarita Castañeda León, de 23, dizem que, agora, não estão mais receosos de andar pela Cidade Universitária, principalmente à noite. "Antes, após as 21 horas as ruas eram desertas", disseram.

Anita Leal, de 21 anos, que faz iniciação científica em Biologia, também tem visto mais carros da PM circulando pela USP. "Estou mais tranquila agora", disse.

O estudante de Ciências Sociais Luis Serrao, de 25 anos, acha que a segurança melhorou sobretudo para quem se desloca de carro dentro da universidade. Por um lado, avalia, é bom para garantir a segurança. "Mas, por outro, é uma forma de afrontar a liberdade concedida pela faculdade. Afinal, para que servem as câmeras instaladas pela USP?", questiona.

Amanda Francisco, de 17 anos, que trabalha no Hospital Veterinário, no entanto, não viu nenhuma diferença na área de segurança do câmpus depois do assassinato do estudante. "Não tenho visto mais ou menos policiais. Para mim, está igual", disse.

Furtos às escondidas. Em relação aos furtos, houve redução de 39,1%. Dos 28 casos ocorridos nos 40 dias que se sucederam ao assassinato do aluno da FEA, apenas três foram em local público. Todos os outros aconteceram no interior das faculdades ou em locais que a polícia não teria como evitar, segundo o major.

PARA LEMBRAR

Jovem morreu ao lado do carro

Em 18 de maio, o estudante Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, foi morto com um tiro na cabeça no estacionamento da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), após ser dominado por dois assaltantes. Morreu ao lado de seu veículo blindado.

No dia 9 deste mês, Irlan Graciano Santiago, de 22, se entregou e confessou sua participação no crime - mas não a autoria da morte. Sem antecedentes criminais, foi liberado. A Justiça, porém, decretou sua prisão preventiva e ele foi detido na Favela San Remo. A polícia ainda procura o cúmplice.

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