Após morte cerebral, família de Eloá autoriza doação dos órgãos

Baleada na cabeça pelo ex-namorado após 4 dias em cativeiro, Eloá teve morte cerebral confirmada no sábado

Redação,

19 de outubro de 2008 | 10h47

A família de Eloá Cristina Pimentel, 15, autorizou na manhã deste domingo, dia 19, a doação dos órgãos da menina, que teve a morte cerebral confirmada às 23h30 de sábado, 18. Ela foi baleada na cabeça na noite de sexta-feira pelo ex-namorado Lindembergue Alves, 22, que a manteve como refém durante quatro dias em Santo André.  Por volta do meio dia, uma equipe da Organização à Procura de Órgãos (OPO), ligada ao Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, chegou ao hospital. Eles serão responsáveis pelos exames necessários e pela remoção dos órgãos de Eloá   Leia também: Lindembergue é autuado por 5 crimes e será ouvido Nayara não falará com a polícia no hospital, diz secretário Segundo perito, primeiro tiro teria sido dado por Alves na cabeça de Eloá À frente da negociação, uma rotina insone Confira cronologia do seqüestro  Seqüestro em Santo André é o mais longo registrado em SP Galeria de fotos do seqüestro    De acordo com Rosa Maria Aguiar, diretora do Centro Hospitalar de Santo André, um dos irmãos de Eloá ligou autorizando a doação às 10h30. 'Ficamos felizes com este ato de doação num momento tão horroroso como esse', afirmou a médica.   Rosa Maria informou que o Centro Hospitalar deve encaminhar algum representante à casa de Eloá, no Jardim Santo André, para que a família autorize, por escrito, a doação dos órgãos. Nenhum representante da família de Eloá encontra-se no hospital.   Depois da remoção dos órgãos, o corpo de Eloá seguirá para o Instituto Médico Legal (IML). Serão realizados, então, os exames sobre o crime.cessários e pela remoção dos órgãos de Eloá   Eloá, que ficou mais de 100 horas seqüestrada pelo ex-namorado Lindembergue Alves, de 22 anos, foi baleada na virilha e na cabeça e teve a morte cerebral constatada às 23h30.    A trajetória da bala na cabeça da menina foi muito longa e atingiu grande parte do cerébro. O projétil se alojou no cerebelo e não foi retirado pelos médicos, que afirmaram que a retirada poderia ter causado danos ainda maiores à saúde da menina.   Em boletim divulgado na manhã de sábado, os médicos haviam afirmado que Eloá tivera piora significativa em seu estado de saúde que já era gravíssimo, após ter sido operada. À tarde, a equipe anunciou que a menina estava em coma irreversível, mas que eram necessários novos exames para comprovar a morte cerebral.   Durante a madrugada de sábado, o governador José Serra (PSDB) foi ao Centro Hospitalar prestar solidariedade aos familiares de Eloá e de sua amiga, Nayara, a outra adolescente seqüestrada pelo auxiliar de produção, baleada na boca. Nayara está consciente e se recupera bem.   O resgate   Policiais do Gate invadiram o apartamento onde Alves, de 22 anos, mantinha Eloá, de 15, refém desde às 13h30 de segunda-feira. A invasão aconteceu às 18h08 de sexta-feira. Três disparos foram ouvidos no local. Os policiais do Gate invadiram o apartamento pela porta do apartamento e por uma janela. Houve um forte barulho de explosão quando a polícia invadiu o apartamento.   Às 18h17, Eloá, baleada na cabeça e na virilha, foi levada de ambulância ao Centro Hospitalar de Santo André. Às 18h18, Nayara foi levada por um carro do SAMU.   Lindembergue foi preso e levado por um carro da Polícia Militar ao 6.º Distrito Po licial, na Vila Marrey, Santo André. Na madrugada de sábado, ele foi transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, em São Paulo.   (Com informações de Vitor Hugo Brandalise, de O Estado de São Paulo; atualizada para acréscimo de informações às 12h10)

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