Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Após massacre, Escola Raul Brasil é reaberta pela primeira vez aos estudantes

Mais uma vítima teve alta médica nesta segunda; definição sobre a data de retomada das aulas será feita nesta semana

Ana Paula Niederauer e Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2019 | 09h40

SÃO PAULO - A Escola Estadual Raul Brasil é reaberta pela primeira vez aos estudantes na manhã desta terça-feira, 19, após o ataque que deixou 10 mortos e 11 feridos na quarta, 13.  Dezenas de pessoas da comunidade acompanham os alunos no retorno à escola.

Algumas pessoas vestem roupas brancas e seguram balões brancos nas mãos. Um grupo de um coral recepcionou os estudantes com música e cartazes em que pedem paz e amor. Há também pessoas distribuindo pirulitos e balas com mensagens de incentivo aos estudantes.

Alguns alunos chegaram  à escola chorando e receberam abraços e sorrisos das pessoas que aguardavam do lado de fora da unidade. A aposentada Leila Araújo, de 62 anos, é vizinha da escola e mãe de duas ex-alunas da unidade. "Vim aqui porque me coloquei no lugar dessas mães, quero ajudar a cuidar dessas crianças, mostrar que não estão sozinhas", disse.

A técnica em enfermagem Maria de Jesus Melonio, de 51 anos, também é mãe de um ex-aluno da escola e disse ter ficado em choque com o que aconteceu. "Só pensava na dor e desespero dessas mães. Para que isso não aconteça de novo em mais nenhum lugar, temos que ficar juntos e cuidar uns dos outros", contou. Ela levou balas para distribuir aos alunos.

Às 11h30 os alunos se reuniram em frente a quadra e soltaram balões brancos. Após a contagem regressiva, uma funcionária da escola disse que eles vão "combater o medo com alegria".

Funcionários que participaram das atividades desta terça-feira disseram que este foi o dia de maior resgate da energia escolar. Os alunos ficaram a vontade para jogar futebol, desenhar, fazer sessões de reiki e até brincar com cachorros terapêuticos. A escola também recebeu mobiliário novo e a reforma da unidade continua. "Sinto que as crianças estão se fortalecendo, recuperando a autoestima depois de uma tragédia. Adolescentes têm uma capacidade de recuperação maior que nós, adultos. Eles estão nos dando forças e vamos  juntos conseguir superar esse trauma", disse uma professora, que preferiu não se identificar.

Para recepcioná-los, a escola preparou um café da manhã com atividades de acolhimento e atendimentos especializados. A partir das 10h até às 16h, serão oferecidas atividades esportivas, artísticas e rodas de conversas.A definição sobre a data de retomada das aulas será feita pela direção da escola, nesta semana.

Nesta terça, continua o atendimento psicossocial especializado para funcionários, alunos e familiares. Equipes do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) da Prefeitura, psicólogos da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), USP, entre outras instituições estão prestando atendimento no local.

Bruno Fedri, psicólogo da Secretaria Estadual de Justiça e que compõe a equipe de apoio psicológico aos alunos e funcionários, diz que vão oferecer hoje atendimento coletivo e individual. Mas que muitos estudantes têm solicitado atenção individual. "Percebemos entre eles dois medos predominantes. Primeiro, de que ocorra um novo ataque ou que sofram novas violência. Segundo, que parem de receber essa atenção e atendimento. Nós estamos tentando tranquilizá-los e ajudá-los a lidar com essa dor", disse.

O psicólogo disse ainda perceber entre os alunos uma preocupação muito grande com os amigos. "Eles estão muito atentos para identificar quem parece estar sofrendo mais, quem está muito calado ou não consegue pedir ajuda."

De acordo com o governo do Estado, a escola continua passando por melhorias através de pintura e reparos pela Seduc-SP, para revitalizar o ambiente físico, com o apoio da comunidade escolar.

Nesta segunda-feira, 18, alguns estudantes passaram pela escola para buscar seus pertences. Também foram à escola 227 famílias, 30 professores e 10 funcionários para participar das atividades de acolhimento e equipes multidisciplinar prestaram apoio psicológico. 

Mais uma vítima do massacre em Suzano tem alta

O estudante Leonardo Martinez Santos, de 16 anos, teve alta médica na noite desta segunda-feira, 18. O jovem, que foi ferido no massacre, estava internado no HC Luzia de Pinho Melo.

No sábado, outros três adolescentes feridos tiveram alta. Samuel Silva Félix e José Vitor Ramos estavam internados no Hospital Santa Maria, em Suzano. Murillo Gomes Louro Benite, de 15 anos, foi liberado no início da noite de sábado.

Três vítimas ainda permanecem internadas nos hospitais da Secretaria de Estado da Saúde  -  HCFMUSP e Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes. 

Estados de saúde dos feridos levados a hospitais estaduais

Adna Isabella Bezerra de Paula, 16 anos, transferida do PSM Suzano para o HC/FMUSP - estável, na enfermaria.

Anderson Carrilho de Brito, 15 anos, transferido do PSM Suzano para o HC/FMUSP -  estável, na UTI.

Jenifer da Silva Cavalcante, 15 anos - HC Luzia de Pinho Melo, estável, segue internada na enfermaria. 

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