Ricardo Brandt/AE
Ricardo Brandt/AE

Após mais de 21 horas, rebelião no interior de São Paulo chega ao fim

Dois presos morreram decapitados e 68 visitantes foram impedidos de deixar a Penitenciária de Itirapina

Sandro Villar e Mateus Coutinho, O Estado de S. Paulo

14 Julho 2013 | 21h00

Texto atualizado às 12h50 de 15/7/2013

Após mais de 21 horas, foi encerrada na manhã desta segunda-feira, 15, a rebelião que deixou dois presos decapitados e mortos e 68 visitantes, incluindo crianças, mulheres grávidas e idosos, reféns na Penitenciária de Itirapina, no interior de São Paulo. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado (SAP), a situação se normalizou por volta das 8h20. A Tropa de Choque entrou no presídio após o final das negociações para revistar os presos e levá-los de volta às suas celas.

Nenhum refém ficou ferido. A Tropa de Choque veio de São Paulo, mas não houve necessidade de invasão. Policiais militares de Piracicaba e Rio Claro também foram para Itirapina. Policiais e diretores do presidio negociaram a maior parte do tempo com os detentos. "Resolvemos no diálogo, mexendo com o psicológico deles (presos)", afirmou o soldado Leandro Casonato, de 41 anos, da PM de Itirapina. Sobre os presos decapitados, o policial disse ao Estado que "cortar cabeças é comum na Penitenciária de Itirapina".

No fim da manhã desta segunda, um comboio com entre 65 e 80 presos deixou o presídio. O destino mais provável é a Penitenciária de Presidente Bernardes. Dois presos que teriam assumido a autoria do assassinato dos detentos durante o motim serão levados para a delegacia local, onde serão ouvidos pela Polícia Civil.

O motim. A rebelião começou às 11 horas de domingo, 14, depois que uma mulher, que visitaria o marido, foi barrada na portaria. O marido dela protestou e a confusão começou. Os presos impediram a saída dos visitantes no período da manhã. Por meio de uma mulher, liberada pelos detentos com a condição de avisar a imprensa sobre o motim, os presidiários apresentaram suas reivindicações.

Eles exigem a ampliação do horário de visitas. Atualmente, as visitas podem ser feitas até as 15 horas. Os presidiários querem que o horário seja ampliado até as 16 horas.

A Tropa de Choque só entrou no presídio após o fim da rebelião. "Os policiais farão a vistoria de praxe", resumiu Rosana Garcia, assessora de imprensa da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).

O presídio está superlotado. A capacidade é para 210 detentos e hoje a penitenciária abriga 692.

 

 

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