Após mais 15 mortes, secretário diz que 'estratégia é absolutamente correta'

Um dos assassinatos foi no Jardim da Saúde: homem foi executado com 5 tiros disparados por encapuzados na Praça João Rodrigues

RICARDO VALOTA , RODRIGO BURGARELLI, WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2012 | 03h08

São Paulo teve mais um dia violento. Nas últimas 24 horas, pelo menos 15 pessoas foram assassinadas na Região Metropolitana - incluindo o 86.º PM morto neste ano no Estado. Ao menos quatro crimes foram executados por encapuzados. Apesar disso e da recente escalada de violência, o secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, afirma que a estratégia de combate ao crime está "absolutamente correta".

Nesta sexta-feira, 26, pela manhã, Ferreira Pinto negou que exista uma guerra não declarada entre policiais e o Primeiro Comando da Capital (PCC). "Às vezes parece até que se quer dar o monopólio do crime organizado a uma facção que está presa há mais de 20 anos, que não tem possibilidade nenhuma de concatenar tantos ataques aqui fora", afirmou. Segundo ele, alguns criminosos estão fazendo acerto de contas e matando alguns policiais, "desafetos deles, que atuam com bastante energia". O secretário afirmou também que vários autores de homicídios foram presos. "Nós estamos com a estratégia absolutamente correta."

A madrugada de ontem teve quatro mortos só na zona sul da capital. No Jardim da Saúde, bairro de classe média, um homem sem documentos foi morto após levar cinco tiros de atiradores encapuzados, na Praça João Rodrigues. "Era um usuário de drogas que, há três semanas, começou a andar por aqui", afirmou um zelador, de 50 anos. Menos de 10 minutos depois, a 2 km dali, um homem também apontado como usuário de drogas foi encontrado caído com tiros na cabeça. O local fica a cerca de dois quilômetros da praça onde aconteceu o primeiro ataque. A polícia não sabe se há relação entre os casos. Outros dois mortos foram encontrados dentro de um carro em Parelheiros, no extremo sul. O motorista que levava os corpos foi preso pelos PMs.

Na noite de anteontem, o soldado Fábio Tomás, de 33 anos, foi atacado por dois homens de moto quando chegava em casa, no Itaim Paulista, zona leste. O policial estava na corporação havia seis anos e tinha dois filhos. Outras duas pessoas foram mortas na mesma região por homens encapuzados - uma delas teria passagem por tráfico.

Outro assassinato foi cometido no Rio Pequeno, zona oeste. Carapicuíba, na Grande São Paulo, foi palco da execução de um casal de comerciantes: Marcelo Aparecido Gelo, de 37 anos, e a mulher dele, Janes Lea Araujo, de 30, foram baleados ao menos 20 vezes, depois de fecharem a loja de fraldas da qual eram proprietários. Nada foi roubado.

Durante a manhã e a tarde de ontem, cinco outras pessoas foram mortas na Grande São Paulo. Entre elas estão dois suspeitos de roubo a banco em Guarulhos, que trocaram tiros com a polícia, e um assaltante que tentou roubar um policial em Itaquaquecetuba.

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