Após mais 12 mortes, PM cassa folgas para reforçar policiamento em SP

Série de crimes começou com execução de policial em Taboão; assassinatos também ocorreram em Embu, Capão Redondo e Carapicuíba

ARTUR RODRIGUES , BRUNO RIBEIRO , BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2012 | 03h04

Em mais um dia de guerra entre policiais militares e criminosos, pelo menos 12 pessoas acabaram mortas entre a noite de anteontem e a tarde de ontem. Sete delas morreram após o assassinato de um PM em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Policiais que atuam na área acreditam que a madrugada sangrenta foi uma resposta de PMs à execução do soldado.

As mortes expõem ainda mais a batalha de PMs e crime organizado, que já havia deixado 15 mortos em cinco dias no litoral paulista, e fizeram o secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, anunciar que cassaria as folgas de PMs para combater criminosos. "Enquanto soldados estiverem morrendo, vamos reforçar o policiamento", disse o secretário. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) falou em "guerra" contra crime.

A baixa para as forças de segurança estaduais ontem foi soldado Hélio Miguel Gomes de Barros, de 36 anos. Às 21h50, ele estava dentro de um carro em um posto de gasolina quando foi baleado várias vezes. Testemunhas falam que os agressores estavam em uma ou duas motos.

Meia hora depois, a dois quilômetros de onde o soldado morreu, as Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicleta (Rocam) mataram dois suspeitos de roubo, em uma moto, durante tiroteio - a versão é contestada por testemunhas.

O Estado percorreu os locais onde as vítimas foram executadas e constatou modo de agir semelhante. Sobreviventes e vizinhos relatam ação de homens em carros com película escura, que passaram atirando em pessoas na rua. Alguns dos cenários são conhecidos pontos de tráfico de drogas.

As mortes do policial e de outras sete pessoas aconteceram em pontos distantes até três quilômetros um dos outros, entre às 23h e 2h. Em dois locais, testemunhas relataram ter visto um Fiat Stilo prata. Em outros dois, viram um carro escuro, provavelmente um Logus.

Perto de Embu das Artes e Taboão da Serra, mas já em São Paulo, houve mais três mortes no Capão Redondo, zona sul da capital. Em uma delas, às 18h de anteontem, policiais da Força Tática disseram ter matado um ladrão que reagiu durante a fuga. Em outro caso, dois corpos foram encontrados com diversos tiros. Já na tarde de ontem, um homem morreu em suposta troca de tiros com homens da Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar (Rota) em Carapicuíba. Segundo o major Marcelo Gonzales Marques, a vítima estava em uma Kombi cheia de drogas.

O comandante-geral da PM, Roberval França, admitiu ontem à rádio Estadão/ESPN que a sequência de mortes na região de Taboão poderia ser "reação" à morte do soldado. / COLABOROU MARCELO GODOY

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