Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Após maior incêndio do ano, SP cria comissão

Fogo destrói 320 barracos na Favela do Real Parque; grupo da Prefeitura vai avaliar casos

Paulo Saldaña e Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2010 | 00h00

O maior incêndio do ano em favelas de São Paulo destruiu ontem 320 barracos da Real Parque, na zona sul, e fez a Prefeitura criar uma comissão para buscar procedimentos que "deem agilidade e eficácia na prevenção e no combate ao fogo". Cerca de 1,2 mil pessoas ficaram desabrigadas. Oito foram atendidas no local, mas ninguém foi hospitalizado.

O incêndio começou às 10 horas em barracos ao lado de um alojamento público e só foi controlado pelos bombeiros três horas mais tarde. O combate às chamas foi dificultado pelo terreno da favela, com vielas estreitas e íngremes, e próximo de áreas de mata. A favela é vizinha de prédios de luxo, que não foram atingidos. Dezoito viaturas dos bombeiros foram deslocadas para combater o fogo, que foi completamente extinto às 15h. Moradores ajudaram no combate às chamas com baldes, mangueiras e garrafas PET cheias d"água.

A causa do incêndio ainda é desconhecida e um laudo pericial deve ficar pronto em 30 dias. Segundo os bombeiros, outro foco de incêndio surgiu de madrugada. Na favela, que fica ao lado da Marginal do Pinheiros, vivem 1.131 famílias, segundo informou a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab).

Recorrente. Uma Câmara Técnica foi criada ontem pela Prefeitura, por meio de decreto do prefeito Gilberto Kassab, e será coordenada pelo secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras, Ronaldo Camargo. Ele esteve ontem na Real Parque e se mostrou preocupado com a frequência de incêndios em favelas nos últimos meses. "A evolução dos números mostra que deve haver alguma anomalia." Apenas neste ano, foram registrados 58 incêndios em favelas, segundo o Corpo de Bombeiros.

Muitas das vítimas do incêndio de ontem já haviam enfrentado o problema em 2002, quando outra área da favela pegou fogo e ao menos 700 ficaram desabrigados. "Não acredito que vamos ter de começar tudo de novo", dizia o porteiro Gilmar da Silva, de 23 anos, cujo barraco foi destruído ontem, como há oito anos. "Passamos um ano e meio dormindo na casa de amigos. É um inferno não ter onde morar."

Nas ruas da favela, pessoas que perderam tudo ficaram sentadas na sarjeta. A dona de casa Francisca Rodrigues, de 23 anos, não conseguiu salvar móveis, documentos, nem mesmo um agasalho para o filho José Augusto, de 4 anos, que chorava sob a chuva, só de camiseta. "O barraco era simples, pequeno. Mas era nossa casa", disse Francisca.

Desde 2003, a Prefeitura buscava solução para a área. Em 2008, as famílias foram cadastradas e sua retirada já estava prevista. No local, 1.135 unidades habitacionais serão construídas, ao custo de R$ 146 milhões. / COLABOROU ANA BIZZOTTO

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